terça-feira, 17 de abril de 2007

160407 Oitava Aula

160407 Oitava Aula

O que é dinheiro? Capitulo 17 da Teoria Geral do Emprego e da Renda.

A-- Introdução
1) Nesta aula e nas seguintes, discutimos o que é exatamente dinheiro. Na aula de hoje, apresentamos a “economia do dinheiro” e nas seguintes, a sociologia, a arqueologia e a semiologia do dinheiro.
2) A aula se baseia no capítulo 17 do Keynes e no artigo do Kaldor que critica Keynes citado na bibliografia.
3) Dinheiro é o ativo mais líquido da economia. Convencionalmente nas estatísticas é medido como a soma dos depósitos a vista mais papel moeda em poder do público.
4) Precisamos definir o que é liquidez e depois entender o que faz com que o dinheiro seja líquido.
5) Liquidez é uma característica dos ativos ou bens. Um ativo é tanto mais líquido quanto mais rapidamente atinge o preço de venda de mercado esperado pelo vendedor, depois de anunciada a decisão de vender. Assim, um apartamento é pouco líquido pois o preço de venda atinge o preço esperado muito lentamente. É preciso encontrar o comprador que queira um apartamento com as características particulares e especiais do apartamento, o que leva tempo. Um automóvel usado é mais líquido pois depois de anunciada a venda, atinge rapidamente o preço de mercado. O dinheiro é o ativo mais líquido, pois é negociado sempre ao mesmo preço, independentemente do tempo de espera após o anúncio. Cinco reais valem sempre cinco reais
6) Por que o dinheiro é tão líquido? A resposta pode ser antecipada. Porque os salários nominais, isto é, expressos em moeda corrente, são rígidos. Os salários são o componente universal e importante na formação de todos os preços, Se são rígidos em termos nominais, isto é, quando expressos na moeda corrente de um país, o dinheiro é liquido pois representa um valor compatível com os preços de todos os bens produzidos.
7) Se os trabalhadores exigissem salários rígidos em termos de trigo, o trigo seria escolhido como dinheiro e não o dólar ou o real.
8) Assim, salários nominais rígidos que os clássicos apontavam como a razão para a existência de desemprego, são uma condição lógica de existência do dinheiro. Se os salários nominais fossem flexíveis, não existiria dinheiro.
9) Esta é uma explicação antecipada e simplificada das conclusões do Capítulo 17. Keynes apenas sugere esta explilcação num parágrafo. Mas a sugestão acaba sendo a condição lógica para que o ativo dinheiro seja o mais líquido e usado como moeda, isto é, como meio de pagamentos e reserva de valor.
10) O Capítulo é difícil de compreender e foi criticado posteriormente por Joan Robinson e Kaldor. Vamos tentar simplificá-lo apresentando primeiro a noção de taxas de juros própria que pode ser calculada para qualquer ativo. Keynes calcula a taxa de juros própria para o trigo, logo no início do capitulo. E depois pergunta porque apesar de existirem diferentes taxas de juros-para o trigo, ouro, imóveis , terra e outros ativos duráveis, usamos a taxa de juros do dinheiro como referencial.
11) A taxa de juros do dinheiro é a taxa de juros mais importante porque é a que cai mais devagar. Em equilíbrio todas as taxas de juros devem ser iguais. No curto prazo, igualam-se através de modificações nos preços de cada um dos ativos. No longo prazo, tornam-se iguais pelo aumento ou diminuição da produção de cada um dos ativos. Se a taxa de juros do dinheiro é a que varia menos, acaba sendo a taxa de juros a que tendem as taxas de juros dos demais ativos da economia.
12) Na seção seguinte, mostramos como se calculam as taxas de juros próprias e monetárias de diferentes ativos. Depois, discutimos porque a taxa de juros do dinheiro é a que cai mais devagar.

B-Como calcular taxas de juros para diferentes ativos.


1) Podemos calcular taxas de juros para qualquer produto que seja negociado a termo.
2) Negócios a termo são compras e vendas realizadas hoje a preços fixados em mercados, hoje, para entrega futura. Existe um preço hoje para entrega hoje, preço spot, e um preço futuro, para entrega em data futura. Mas o preço é válido hoje, ainda que seja para entrega futura.
3) O preço futuro não é um preço esperado. É o preço em vigor hoje, que pode ser praticado hoje, mas para entrega de mercadoria futura.
4) Suponha, como no capítulo 17 da Teoria Geral que trigo esteja sendo negociado a 100 para entrega hoje e 107 para entrega daqui a um ano.
5) Posso comprar e vender trigo spot e trigo futuro a preços spot e futuro, pagos e recebidos hoje.
6) Se comprar trigo spot, gasto 100 agora e vendo trigo futuro a 107. Tenho em estoque 100 de trigo para entregar daqui a um ano a 107.
7) Quaisquer que sejam os preços do trigo daqui a um ano, o que eu vendi está vendido ao preço de 107. Não corro risco de variação de preço do trigo. Se o preço aumentar ou cair não ganho nem perco em relação a operação realizada.
8) No caso desta operação-- comprar trigo spot e vender trigo futuro, estou vendido em trigo futuro a 107.
9) A taxa de juros do trigo vendido é 107. Se a taxa de juros monetária for de 5% a.a., ganho 2% de retorno, pois apliquei 100 que poderiam render 5% e rendem 7%. Vale a pena ficar vendido em trigo, isto é, vender trigo futuro a 107.
10) A taxa de juros 107/100 é chamada taxa de juros própria do trigo. A taxa de juros 107/100(100/105)=2% é chamada taxa de juros monetária própria decorrente de ficar vendido em trigo.
11) O fluxo de caixa desta operação pode ser descrito assim:
a) vendi trigo futuro-- entra 107 no caixa.
b) comprei trigo spot na mesma quantidade-- sai 100 de caixa. (Não corro risco de variação no preço do trigo, pois tenho para entregar o trigo que vendi) .
c) apliquei 100 na compra de trigo spot-- sai 100 do caixa d) daqui a um ano recebo o dinheiro com juro-- entra 105 no caixa.
e) Resultado-- +107-100+100-105= 2%
12) Se vendesse trigo spot e comprasse trigo futuro-- a operação é chamada ficar comprado em trigo--os resultados seriam invertidos. A taxa de juros do trigo vendido spot seria 100/107=-7%. O retorno do dinheiro obtido com a venda do trigo spot 100 renderia 105 e o ganho final seria 100/107(105/100)=-2%.
13) O fluxo de caixa da operação ficar comprado em trigo seria:
a) venda de trigo spot= entra 100 no caixa
b) aplicação do dinheiro a taxa de 5%$=sai 100 do caixa
c) compra trigo futuro= sai 107 do caixa
d) retorno do dinheiro aplicado=entra 105 no caixa
e) resultado=+100-100-107+105=-2%

14) Se o preço futuro do dólar no mercado futuro no Brasil for 107 enquanto o preço spot for 100 e a taxa de juros monetária for 5%, vale a pena ficar vendido em dólar, isto é, vender dólar futuro (tomar dólares emprestados para pagar no futuro) e aplicar em reais. A taxa de juros de uma economia aberta com mobilidade de capital leva em consideração o preço da moeda estrangeira no mercado spot e no futuro. Se a taxa de juros for menor do que 7%,haverá entrada de dólares (tomada de empréstimos em dólar), se for maior, haverá saída de dólares, se for exatamente 7% não haverá nem entrada nem saída.
15) Regra geral: vale a pena ficar vendido nas mercadorias cuja taxa própria de juros for maior do que a taxa monetária própria e vale a pena ficar comprado nas mercadorias cuja taxa própria de juros for menor do que a taxa monetária própria.
16) Suponha que o preço spot represente o custo marginal corrente, isto é, de curto prazo. E que o preço futuro represente o preço normal de equilíbrio, isto é, o custo marginal de longo prazo.
17) Suponha que o preço dos apartamentos a venda no mercado seja 100. E que o preço de longo prazo do apartamento seja 107 enquanto a taxa de juros monetária continua 5%. Vale a pena comprar apartamentos para venda no futuro?
18) a) Compra de apartamento a ser entregue no futuro=sai 107 do caixa (o custo marginal de construção de um novo apartamento)
b) Venda de apartamentos na planta (spot- o preço de mercado atual )= entra 100 no caixa
c) Aplicação do dinheiro da venda do apartamento hoje =sai 100 do caixa.
d) Recebimento do dinheiro aplicado =entra 105 no caixa.
e) Resultado: -107+100-100+105= -2
19) Se o preço de mercado atual for menor do que o preço de longo prazo e se a taxa de juros for menor do que diferença entre estes dois preços não vale a pena construir apartamentos para vender. É melhor vender apartamentos já construídos, ou seja, comprar apartamentos agora e vendê-los no futuro.
20) Regra geral: só são produzidos os bens cujo preço corrente é maior do que o preço de longo prazo, ou o preço spot maior do que o preço futuro, relativamente a taxa de juros monetária.


C - Por que usamos a taxa monetária de juros como base de comparação para outras taxas de juros de outros produtos?


1) Sempre que se maximiza uma função de várias variáveis, igualamos a derivada da função para cada variável, ou seja, igualamos os valores das funções marginais.
2) Na teoria cardinal do consumidor, igualamos a utilidade marginal de cada produto consumido a utilidade marginal da renda , que supomos constante. Assim, a utilidade marginal de cada produto é em equilíbrio igual a utilidade marginal da renda, que é a utilidade marginal constante, ou a que cai mais devagar.
3) No caso de um monopolista que venda seus produtos em diversos mercados separados, a regra de maximização da receita total é igualar a receita marginal de cada mercado a receita marginal que cai mais devagar, ou aa receita marginal do mercado cuja demanda seja mais elástica. Se vender também em um mercado de concorrência perfeita onde a receita marginal é igual a receita média, ou a um preço dado e independente da quantidade de suas vendas, a regra é igualar a receita marginal de cada mercado a este preço, ou a esta receita marginal que cai mais devagar.
4) Assim, de forma geral, a variável que determina o valor das demais varíáveis marginais é aquela que cai mais devagar.
5) Se utilizamos a taxa de juros monetária como regra de comparação para as outras variáveis deve ser porque a taxa monetária de juros é a que cai mais devagar.
6) A questão é explicar porque a taxa de juros monetária é a que cai mais devagar.
7) A explicação do Capítulo 17 para o fato de as taxas de juros monetárias serem as que caem mais devagar baseia-se no fato de que a oferta de moeda é absolutamente inelástica, porque a quantidade de dinheiro não é fixada em função da sua taxa de retorno. E porque a elasticidade de substituição do dinheiro com relação a outros ativos financeiros é muito baixa. Ouro e terra poderiam ser utilizados como dinheiro pois também tem elasticidade de oferta baixa ou nula e elasticidade de substituição muito pequena.
8) A explicação não é satisfatória.
9) Keynes afirma também em um parágrafo deste capítulo que para existir moeda é necessário que os salários nominais sejam rígidos. A moeda é líquida apenas por que os trabalhadores recebem os seus salários em termos de dinheiro. Se quisessem receber os seus salários em unidades de trigo ou de cestas básicas, seriam as cestas básicas que seriam a moeda.
10) Assim, o salário nominal rígido que era uma “imperfeição” de mercado no caso dos clássicos passa a ser uma condição lógica para a existência de moeda no caso do capitulo 17.
11) A partir deste parágrafo aparecem explicações muito mais convincentes sobre a lentidão relativa da queda da taxa de juros monetária em relação a outras taxas de juros. Apresentamos abaixo a explicação dada por Kaldor.

D - A explicação de Kaldor.
1)Keynes afirma que a taxa de retorno de cada ativo é composta por sua produtividade marginal ou rendimento dado por q; o custo de carregar ou manter o ativo dado por c e um premio de liquidez dado por l. O retorno esperado portanto é dado por q-c+l.

2) A máquina tem retorno q-c
O trigo tem retorno – c
A moeda tem retorno l.

3) Kaldor modifica a definição e no lugar de atribuir um premio de liquidez, fala em um desconto de liquidez e assim a taxa de retorno total é dada por q-c-l

4)Vantagem sobre esquema de Keynes: vários ativos com retorno diferente, digamos 10% 8% e 2% , sendo 2% moeda. Quanto é o prêmio de liquidez do Keynes? Pode ser 6 ou 8 . Para ele,o primiero ativo teria um l de 8, o segundo de 6.

5)Kaldor assume que para ativos reproduziveis, pe é preço de oferta normal e constante no longo prazo e pc é o preço corrente. Então, ativo só será produzido se pc for maior do que preço normal de longo prazo

6) Então , considerando variação de preços, taxa de retorno total do ativo é dada por a+q-c-r onde a=(pc-pe)/pc
Existem ativos cuja taxa de retorno é igualada a dos outros por variação de q-c e ativos cujo retorno é igualado por variações de a. No longo prazo, sempre variações de q-c. No curto prazo, variações de a


7) No exemplo do trigo de Keynes
preço spot 100
preço futuro 107
taxa de juros monetária 5%
a=-7%
taxa monetária propia : a+(q-c)-r=-2%

o que é -2% ?
taxa de juros de empréstimo expresso em trigo. Vale a pena tomar empréstimos, ficar vendido em trigo, poque a taxa de juros é negativa. No Kaldor, a taxa do trigo é negativa, diferença não relevante com relação ao Capítulo 17.
vale a pena ficar vendido em trigo e não vale a pena produzir trigo
vale a pena dever trigo e não produzir trigo,ter trigo no passivo , dever trigo, e não no ativo.
só ativos com a>0 serão produzidos, isto é, cujo preço corrente é maior do que o preço normal de longo prazo.

8) Keynes – taxa de juros da moeda é a que cai mais devagar
cai mais devagar porque quantidade cresce mais devagar
entào ouro e terra poderia fazer papel de moeda.

9) para Kaldor- isto verdade se elasticidade expectativas for menor do que 1, isto é, pc sobe, pe sobe menos do que proporcionalmente, se for maior do que 1 ,pc sobe hoje e pe sobe proporcionalmente ou mais do que proporcionalmente. Então a taxa de juros da moeda é importante se a variar pouco , e a taxa de juros monetária fixa a taxa de retorno dos outros ativos.


10) do que depende elasticidade de expectativas ?
se salário for expresso em moeda, sobe pc, pe sobe igual porque w nominal vai subir e todos os preços vão subir igualmente. O a do dinheiro não varia muito no curto prazo.
se salário for expresso em ouro, sobe pc do ouro, pe sobe igual porque custo de producao de ouro vai subir junto e pe vai subir
mas salário não pode ser expresso em ouro, porque existe outros custos de manutenção do trabalho

11) para terra, mesmo raciocínio
se q da terra, ou seja , rendimento da terra subisse junto com pc, então a da terra seria invariante,então aluguel da terra deveria variar junto com preço da terra.. Isto não acontece, então terra não serve.

12)mesmo no caso da moeda,
se salário nominal fosse rigido em termos de moeda , sobe preço da moeda, pc, sobe pe, e a não cai e taxa de juros propria monetaria da moeda cairia pouco
mas

13) no pleno emprego salário flexivel para cima, e preços podem ser flexiveis, e pode ser que preços dos ativos sejam sticky com relação a seus prorpios precos e não com relação a moeda. Então , pode ser que a taxa de juros mais iimportante seja o nivel geral de taxas de retorno e nao o juros da moeda.

14) portanto, taxa de juros monetária é a relevante se e somente se a moeda for unidade de conta, pois ai, a=o e se q da moeda não cair quando tiver mais moeda.

15) Taxa de juros monetária é a taxa que cai mais devagar e ataxa que determina outras taxas se a moeda for unidade de conta

E - Conclusões

1) Taxa de juros monetária é a que cai mais devagar porque: elasticidade de oferta nula, de substiuição muito baixa e principalmente:
2) porque quando seu preço corrente cai, preço esperado cae igualmente se elasticidade de expectativa for menor do que 1.
3) liquidez da moeda depende de os salários nominais serem rigidos em termos de moeda.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

090407 Sétima Aula

110407 Sétima Aula

Uma aritmética monetarista desagradável: expectativas racionais.

1) A partir dos anos 70, os Estados Unidos estavam envolvidos com a Guerra do Vietnã, o impeachment do Presidente Nixon, depois do caso Watergate, o movimento da contracultura com manifestações de rua contra a guerra e a discriminação racial. Era a época da guerrilha urbana, dos hippies, da droga, dos Panteras Negras, dos seqüestros de personalidades, da insegurança e pobreza nos centros urbanos das grandes cidades.
2) Em 1974, a OPEP, recém criada, eleva os preços do petróleo em 400%. Em 1979, os preços do petróleo são elevados novamente, o segundo choque do petróleo. Os países produtores de petróleo acumulam grandes reservas de dólares que são reemprestados pelos bancos americanos principalmente para os países da América Latina.
3) O governo brasileiro lança o II Plano Nacional de Desenvolvimento com investimentos pesados em uma nova onda de substituição de importações (bens de capital, matérias primas básicas como siderurgia e petroquímica, mineração, eletricidade e petróleo). Estes investimentos são financiados por dívidas em dólares usados para financiar o déficit do balanço comercial causado pelo preço elevado do petróleo. A economia brasileira cresce 6% a.a. apesar da recessão internacional. A inflação brasileira que se reduzia desde 1964 e chegava a 20% a.a. pula para 40% a.a. O país passa a racionar o consumo de gasolina que não é vendida durante os fins de semana, até a tarde dos domingos. Mais tarde, tem início o Proálcool com a introdução do etanol como combustível para automóveis.
4) A economia americana começa a apresentar taxas de inflação E taxas de desemprego crescentes. A curva de Philips estaria se deslocando para a direita.
5) Os monetaristas argumentam que a curva de Philips é um fenômeno de curto prazo. No curto prazo, mais inflação pode reduzir o desemprego, mas logo, trabalhadores e empresários “aprendem” como funciona a taxa de inflação e reagem adequadamente. Em prazo maior, a curva de Philips é vertical e a economia tende a taxa “natural” de desemprego. Que será chamada de NAIRU (non accelerating inflation rate of unemployement ou desemprego compatível com taxa estável de inflação).
6) O mercado financeiro internacional se desenvolve rapidamente desde os anos 60 com o aparecimento do mercado de eurodólar (mercado financeiro que usa o dólar como unidade de conta mas localizado na Europa e livre das regulamentações nacionais). Veja “Fear of Finance” , resenha da Economist citada na lista de leitura.
7) É o fim da era neoclássica ou keynesiana. Inicia-se a hegemonia do pensamento clássico, monetarista ou novo clássico. E a época da chamada globalização financeira.
8) Em 1979, Reagan assume o governo. Logo no início, enfrenta greve de controladores de vôo a que reage violentamente com demissão de todos os controladores. A reação governamental marca o ínício do enfraquecimento dos movimentos sindicais americanos que depois acontece no mundo inteiro.
9) Assim que assume, Reagan reduz impostos e aumenta o déficit público apesar dos cortes de gastos, particularmente na área social. O Federal Reserve eleva as taxas de juros para combater a inflação resultante do déficit público. A elevação dos juros torna os países da América Latina insolventes e ameaça de falência os bancos americanos, maiores credores da divida externa latina americana. Em 1982, na reunião do FMI no México, os bancos param de emprestar para a maioria dos paises latinoamericanos. As dívidas são renegociadas por comitês de bancos e pelo FMI. Os bancos americanos não podem lançar como débitos não cobráveis as dividas que possuem, sob o risco de irem à falência.
10) O artigo do Sargent trata da ineficácia da política monetária para combater a inflação quando há descoordenação entre as políticas monetárias e fiscal.
11) Friedman havia afirmado que a política monetária é capaz de controlar apenas a taxa de inflação. A taxa de juros real, o emprego e a taxa de crescimento da economia são dados e invariantes face a política monetária. A política monetária deveria apenas controlar o crescimento da base monetária que determina a taxa de inflação.
12) Sargent argumenta que no caso de falta de coordenação entre política monetária e fiscal (o caso da política econômica do Reagan de grandes déficits e taxas de juros muito altas), a política monetária não conseguiria controlar nem a taxa de inflação. Por isto é que o artigo se chama uma “aritmética monetarista desagradável”.
13) O argumento do Sargent pode ser resumido assim: se a taxa de juros real é fixada em nível maior do que a taxa de crescimento do produto, mais dia ou menos dia, esta dívida terá que ser monetizada. Se o público sabe que a dívida vai ser remonetizada, a inflação esperada no futuro será maior—mais base monetária , num modelo simples onde a demanda de moeda é dada pela Teoria Quantitativa da Moeda—implicará em mais inflação quando a dívida for resgatada por emissão de mais base ou mais moeda. Se a inflação esperada for maior no futuro, o público se livra da moeda imediatamente e a inflação sobe imediatamente.
14) As expectativas são racionais, isto é, baseiam-se no conhecimento completo do modelo macroeconômico que determina o comportamento da economia. No caso do artigo do Sargent, como a demanda de moeda é do tipo clássico, mais moeda significa mais inflação no futuro e mais inflação corrente. Nos modelos anteriores, do Friedman e do Cagan, que veremos nas aulas de hiperinflação, as expectativas eram determinadas pelo passado (expectativas defasadas) e especificadas como uma média ponderada das inflações passadas. Agora, as expectativas são formadas pelo conhecimento total do modelo. Os “agentes econômicos” reagem como se conhecessem o modelo macro da economia. É por isto que a política monetária passa a ser ineficaz.
15) A política monetária só produz efeitos sobre a produção e a renda se for inesperada, desconhecida pelos agentes, se for uma surpresa a qual não podem se adaptar.
16) O artigo é um clássico dos modelos de expectativas racionais. Com a hipótese de expectativas racionais, a economia passa a ser um “jogo” entre agentes econômicos e autoridades econômicas. Ambos conhecem o mesmo modelo e reagirão à política monetária imediatamente.
17) Noutra linha, aparecem os efeitos ricardianos. Os déficits públicos de hoje, geram expectativa de maiores impostos no futuro, destinados a cobrir este déficit. Estes impostos maiores são imediatamente descontados da renda permanente e reduzem o consumo corrente. A política fiscal passa a ser ineficaz também se os maiores gastos governamentais forem compensados por rendas permanentes menores e gastos menores de consumo do setor privado.
18) Assim, políticas monetárias e fiscais passam a ser menos capazes de alterar o ritmo de crescimento da economia ou da taxa de inflação.
19) Para os economistas novos clássicos, a instabilidade da economia capitalista resulta de movimentos reais inevitáveis (inovações tecnológicas, mudanças nos hábitos e na composição do consumo, eventos climáticos ou naturais) ou da tentativa do governo de aumentar o emprego acima da taxa NAIRU. Resgata-se o pensamento conservador. A economia deve ficar livre da intervenção do governo que apenas aumenta a instabilidade da economia. Mas o pensamento conservador volta renovado, mais radical e com argumentos mais fortes sobre a ineficácia das políticas keynesianas.
20) A idéia de expectativas racionais levanta vários problemas de método. Supomos que os “agentes” (não são mais trabalhadores e capitalistas, mas agentes, isto é, o trabalhador é também capitalista e o capitalista, trabalhador) usam o mesmo modelo que os economistas e as autoridades. Mas qual é este modelo? Clássico, ou keynesiano? Por outro lado, num mundo onde as finanças tem papel predominante, isto é, onde a bolsa de valores e os mercados financeiros são muito importantes, o modelo de expectativas racionais é um bom modelo. Rendimentos dependem do que os outros dependem do que venha acontecer. E não do que realmente acontece, pois o que realmente acontece pode tardar muito a acontecer. Num mundo onde a especulação é importante, as expectativas racionais são bom modelo. A questão é saber em que modelo a maioria acredita e quanto tempo leva para a realidade (o lucro prometido) aparecer.
21) Antes, os monetaristas insistiam no controle da taxa de crescimento da quantidade de moeda. Agora, num mundo em que o dinheiro não tem fronteiras e que o dinheiro assume várias formas—dívida pública de curto prazo, derivativos, e várias moedas—o controle monetária passa a ser sobre a taxa de juros
22) O artigo do Sargent levaria a conclusão de que a taxa de inflação brasileira deveria ser alta apesar das taxas de juros elevadas. Como a taxa de juros real tem sido de 10% a.a. enquanto a taxa de crescimento tem sido de 3% a.a. em média, nos últimos doze anos, o público deveria esperar que a dívida viesse a ser monetizada no futuro próximo, o que causaria um aumento na inflação esperada e na inflação corrente. Por isto é importante que a dívida pública tenha uma trajetória projetada de redução.
23) Um raciocínio de expectativas racionais também tem conseqüências importantes para a política cambial. O Banco Central compra dólares financiando estas compras com emissão de dívida pública. Se a dívida pública for vista como lastreada nas reservas do Banco Central, a compra de dólares em troca de dívida não alteraria a taxa cambial se a dívida for vista como ativo substituto dos dólares comprados. Assim, a taxa cambial não se reduziria pela intervenção do Banco Central.

terça-feira, 27 de março de 2007

260307 Sexta Aula

Sexta Aula 260607

Moeda e crescimento econômico.

1) Os monetaristas resgatam a teoria clássica da moeda - um facilitador das trocas de bens e do processo produtivo, que não afeta o emprego e a taxa de crescimento da economia. O dinheiro é um bem como outro qualquer, como as batatas, cujo preço depende essencialmente da demanda e oferta de batatas e tem pouca influência no resto da economia. O funcionamento da economia, portanto, continua sendo “racional”—trabalhamos para viver e usamos o dinheiro apenas como um instrumento auxiliar.
2) Consequentemente, não se pode falar em moeda e crescimento entre os monetaristas, já que o crescimento depende apenas de fatores reais.
3) Comentário: são chamados de “monetaristas” os economistas que afirmam que a moeda não faz diferença para o mundo real, apenas atrapalha. Ilude trabalhadores e empresários e permite que o governo gaste sem autorização legislativa. Fazem ou fizeram boa teoria monetária apenas para mostrar que a moeda é irrelevante para o lado real da economia. Seria análogo a chamar os cientistas que argumentam que o efeito estufa não é importante, de “ambientalistas”.
4) Para os neoclássicos, demanda e oferta de moeda afetam a taxa de crescimento da economia no longo prazo. Pois o dinheiro compete com o capital físico na carteira de ativos . Se os investidores desejam reter mais dinheiro, reterão menos capital. A relação capital/ trabalho será menor, e menor, consequentemente, será a produtividade da mão de obra e os salários.
5) A Teoria Geral apresentou uma economia capitalista que podia estar em equilíbrio com desemprego—uma contradição. Esta possibilidade decorre de várias coisas: 1) por que a decisão de investir é separada pelo mercado financeiro, da decisão de poupar; 2) por que se investimento for diferente da poupança, o ajuste se dá pelo nível de produção (muda o nível de renda) e não pela taxa de juros. Finalmente, 3) por que mudanças do nível geral de preços, que modificam o estoque real de meios de pagamento não levam a economia de volta ao nível de pleno emprego (se o efeito Pigou não for relevante, como as evidências empíricas sugerem). A economia capitalista é instável e pode se estabilizar com desemprego elevado.
6) Esta conclusão foi apresentada no modelo de crescimento de Harrod.
a) Harrod supôs uma função de produção a coeficientes fixos y=a.k ( função de produção)
b) S=sy ( poupança, função comportamento)
c) população e força de trabalho crescem a taxa n.
d) I=S ( condição de equilíbrio)
7) Resolvendo o modelo temos sY=I=delta K ( investimento é igual ao aumento—delta—do estoque de capital)
8) Dividindo tudo por K, temos sY/K=delta K/K ou sa=delta K/K ou seja a relação produto capital vezes a propensão marginal a poupar é igual em equilíbrio a taxa de crescimento do estoque de capital. Se a taxa de poupança for 20% e a relação produto capital 25% a taxa de crescimento é 5%. Esta taxa foi chamada de taxa garantida de crescimento—warranted rate of growth , gw.
9) Gw, ou sa pode ser maior, menor ou igual do que n, taxa de crescimento da população, chamada de taxa natural de crescimento.
10) Se for maior, a relação capital-trabalho é crescente e consequentemente a produtividade marginal do capital cairá constantemente. Faltará mão de obra, haverá uma tendência inflacionária. Não está claro no modelo como isto aconteceria.
11) Se for menor, a relação capital- trabalho é decrescente e se os capitalistas insistirem numa taxa mínima de retorno sobre o capital, haverá desemprego.
12) A economia tende ao equilíbrio quando a taxa garantida é igual a taxa de crescimento da população. Este equilíbrio pode ser aceitável ou não para os capitalistas.
13) O mecanismo de ajuste da taxa crescimento do estoque de capital a taxa de crescimento da força de trabalho, pode levar a uma relação capital trabalho e um retorno de capital inaceitável para os capitalistas. Mas se estão poupando mais do que querem e não aceitam o declínio da taxa de retorno do capital, onde alocam a poupança excessiva?
14) Assim, o modelo de Harrod fala da economia capitalista como uma economia instável. Harrod pode ser chamado de neokeynesiano.
15) Os neoclássicos contra argumentam. O resultado de Harrod decorre de uma hipótese especial, isto é, dos coeficientes fixos de produção. Solow entre outros desenvolve outro modelo, onde a função de produção admite substituição entre mão de obra e capital. Esta substituição depende dos preços da mão de obra e do capital. Cria portanto a possibilidade técnica de ajuste da produção e um mecanismo de ajuste ( salários e aluguel do capital) que levariam a economia a uma taxa de crescimento estável com pleno emprego. Constrói o modelo a partir do que foi chamado “fatos estilizados”: as economias capitalistas crescem a uma taxa constante, a relação capital trabalho é constante e a participação dos salários no produto é constante.
16) Observação: mais tarde, economistas de Cambridge Inglaterra iniciam polêmica com os economistas de Cambridge EUA ( Harvard e MIT). Argumentam que não é possível chegar a uma medida do estoque agregado de capital logicamente consistente. Esta polëmica nunca foi resolvida e continuamos a falar do estoque de capital como se fosse uma medida possível logicamente.
17) Nesta discussão, o artigo do Tobin responde a seguinte pergunta: como é possível que os capitalistas exijam uma taxa mínima de retorno sobre o capital como no item 10 acima? A resposta é—em ativos monetários. A taxa mínima requerida pelos investidores é a taxa de juros monetária fixada exógenamente pelo governo ou pelo mau funcionamento do mercado financeiro.
18) Veja o gráfico que vai ser dado em aula no artigo mencionado do Tobin.
19) A taxa de juros dos ativos monetários afeta, no longo prazo, a taxa de formação de capital e a relação capital trabalho. Pode, portanto, mudar o caminho de crescimento da economia.
20) Para que a taxa de juros monetária permaneça acima da taxa de retorno com uma relação capital – trabalho maior, o governo precisa produzir um déficit igual ao excesso de poupança sobre investimentos. A taxa de crescimento da economia fica igual a taxa de crescimento natural e igual a taxa de juros, maior do que se não existisse o déficit. A relação capital trabalho é menor e os salários menores. O nível de emprego, menor. Esta é a situação dada pelo curva S 3 e a relação capital trabalho K h do gráfico.
21) Em conclusão: o dinheiro afeta a composição da carteira de ativos da economia, a taxa de juros do capital e a relação capital trabalho e os salários .
22) Se a população cresce 2% a.a., e a taxa de retorno do capital assim como a taxa de juros dos ativos monetários for maior do que 2% a.a. a participação dos juros e lucros é crescente e a participação dos salários decrescentes. A participação das despesas do governo é crescente por causa dos juros que paga sobre a divida publlica que está emitindo .A situação é insustentável no longo prazo. No longo prazo, a conclusão é monetarista—temos que voltar para o ponto k1 do gráfico. Tobin não tira esta conclusão no artigo. Nem se sabe quão longo é o longo prazo.
23) Faça uma analogia com o caso brasileiro.

sábado, 17 de março de 2007

190307 Quinta Aula

190307 Quinta Aula

Monetaristas e Neoclássicos: a moeda na teoria econômica.

1) Preocupação dos neoclássicos: como incluir a moeda nos modelos econômicos marginalistas de forma consistente com as hipóteses de maximização de utilidade e de lucro?
2) PRIMEIRO AS BASES MICRO ECONÔMICAS. Moeda analisada como ativo financeiro e escolha entre ativos financeiros considerando o risco associado a cada um .
3) “Liquidity as a behavior toward risk” Review of Economic Studies 25 No.67 (February 1958) ”
4) Qual a justificativa para a existência da demanda de moeda para especulação? Suponha que existam dois ativos: dinheiro e títulos perpétuos( consolos) . Dinheiro rende juros zero. Os consolos rendem juros r e tem preço corrente igual a 1/r. Se a taxa de juros esperada for re, diferente de r, o rendimento de um consolo será dado por
a) r
b) mais a variação esperada do preço do título( ganho ou perda de capital) dada por g=(r-re)/re=r/re -1.
c) o investidor vai comprar consolos ou reter moeda se r+g for maior do que zero. Do contrário, ficará com dinheiro e não compra título algum.
d) Conclusão: reter ou não reter moeda para especulação será uma decisão tipo “tudo ou nada”. A demanda de moeda para especulação seria um ponto.
e) Se supusermos que o público tem diferentes expectativas de re, poderíamos desenhar uma demanda de moeda em função de r. Para cada r, alguns indivíduos ficariam só com dinheiro e outros comprariam títulos perpétuos.

5) Outra justificativa: atitude com relação ao risco. Utilidade da renda é função da renda média esperada e do risco associado a esta esperada.
6) Podemos especificar o comportamento individual supondo que a curva de utilidade leva em conta apenas a média e a variância. Ou, que a distribuição de probabilidades é normal, que pode ser descrita apenas por estes dois parâmetros—média e variância. São duas hipóteses alternativas para simplificar o problema e permitir que escrevamos a função utilidade como U=U(m, sigma 2).
7) Um portfolio terá a proporção A1 de dinheiro e A2 de consolos sendo que A1 +A 2 =1.
8) O retorno do portfolio é dado por R=A2(r+g) com retorno médio dado por E(R)= A2.r e variância(R)=A2.variância(g)
9) A taxa de troca entre rendimento esperado A2.r e risco deste rendimento é dada por
E(R)/ var(R) =A2.r/(A2.var(g)=r/(A2.var(g))
Ou
E(R)={r/var(g)}.var(R) que é a “linha de orçamento”entre risco e retorno. Maior o risco , menor A2 , isto é a participação dos consolos no portfolio. E menor o risco, maior A2.


1) SEGUNDO , A MOEDA COMO UM ATIVO ENTRE OUTROS ATIVOS. (artigo do Tobin “Money and Other Stores of Value”, American Ec\onomic Review (Papers and Proceedings),51 ( May 1961),26-37, é preciso analisar moeda como um ativo entre os vários ativos que compõem o estoque de riqueza e as decisões sobre o estoque de riqueza separadamente das decisões sobre consumo e não consumo.
2) Restrição orçamentária dada pelo estoque total de riqueza. Ativos: a) meios de pagamentos b) depósitos a vista c) títulos públicos d) capital físico e se quisermos e) dívida privada. Riqueza total do setor privado é dada por a+c+d. Depósitos a vista cancelam com empréstimos do setor privado e na riqueza total desaparecem.
3) A decisão de não consumir não implica na decisão de reter moeda. Não consumir é decisão de aumentar o estoque de riqueza o que pode ser feito através da compra de diferentes ativos, entre os quais moeda.
4) No curto prazo, estoque de riqueza constante. Só pode ser aumentado por decisões de poupança que adicionam novos ativos ao estoque lentamente. “Raciocínio sobre o aumento de oferta de meios de pagamento como aumentando o estoque de riqueza (dinheiro caindo do céu por helicóptero) pode ser instrutivo desde que se lembre que não é assim que o Banco Central altera a quantidade de moeda”( crítica a teoria quantitativa da moeda e a idéia de que mais moeda torna o público mais rico e este troca moeda por bens). Política monetária atua geralmente pela troca de ativos mais líquidos por ativos menos líquidos ( operações de mercado aberto). Consumo maior está associado a estoque de riqueza maior e não a excesso de moeda, pois excesso de moeda pode ser compensado por uma realocação de portfolio.
4) No modelo keynesiano, existem apenas dois ativos : dinheiro e capital e nenhum outro ativo financeiro monetário( quase moeda, títulos de renda fixa e curto prazo). Na tradição da Teoria Quantitativa , que também só considerava estes dois ativos, por que não se considerava a taxa de retorno do capital como custo de oportunidade de reter dinheiro? Porque consideravam a taxa de retorno do capital constante.
5) Se considerarmos vários ativos monetários—títulos do governo de curto e longo prazo, dinheiro e capital, os efeitos da política monetária passam a depender da relação de substituição e complementaridade entre os ativos considerados.
6) Primeira alternativa: todos os ativos monetários considerados como perfeitos substitutos do dinheiro e substitutos imperfeitos do capital. Ou seja dinheiro e títulos públicos são perfeitos substitutos. Dinheiro é meio de pagamento e depende da renda nominal. Capital é o outro ativo. Assim, diferencial entre taxa de retorno dos ativos monetários e capital é determinada pela oferta relativa dos dois tipos de ativo. A taxa de juros depende da taxa de juros dos ativos monetários relativamente ao estoque de riqueza. A política monetária altera a taxa de juros destes dois ativos e consequentemente a taxa de juros exigida dos investimentos em capital físico.
7) Segunda alternativa: ativos monetários do governo de curto prazo são substitutos perfeitos do dinheiro, mas capital concorre com ativos de longo prazo dos títulos do governo. Neste caso, política monetária afeta taxa de juros dos ativos monetários entre estes ativos e a taxa de juros do capital e dos títulos de longo prazo que são substitutos perfeitos entre si.
8) Considere agora os efeitos de uma política fiscal superavitária que recompre títulos de longo prazo. Do lado dos fluxos, isto é, da demanda agregada de consumo, o efeito é contracionista por causa do aumento de impostos maior do que o de gastos. Qual o efeito sobre o portfolio do setor privado e sobre os investimentos?
9) Na primeira alternativa—menos títulos de longo prazo relativamente a oferta de dinheiro, cai a taxa de juros “monetária” e aumenta o investimento. A política monetária é expansionista. Caso do modelo IS e livro texto. Onde existe crowding out.
10) Na segunda alternativa—menos títulos de longo prazo relativamente à oferta de capital, os investidores vão exigir uma taxa de retorno maior sobre o capital e os investimentos vão diminuir. A política monetária que retira títulos do governo de circulação é contracionista.
10) Qual é o melhor modelo?
11) O melhor indicador para saber o que vai acontecer com os investimentos é a comparação entre o preço que os investidores exigem para reter capital a preços correntes, o preço de oferta do capital, e a produtividade marginal do capital. Em outras palavras: o custo de produzir novo capital relativamente ao preço corrente do capital( preço das ações). Este índice é o chamado q de Tobin. Na prática, o índice de preço/ lucro da bolsa de valores.
12) Qual seria o resultado de uma recompra de títulos públicos no Brasil? Se o estoque da dívida se reduzir, o efeito é expansionista ou contracionista sobre os investimentos? Existe crowding out ou ao contrário, o efeito da redução de dívida pública provocará crowding out? Ou o contrário?

sábado, 10 de março de 2007

120307 Quarta Aula

120703 Quarta Aula

Monetaristas e Neoclássicos: A teoria quantitativa da moeda.

1)Nesta parte do curso, analisamos o debate entre monetaristas e neoclássicos. Neoclássicos são autores como Paul Samuelson, Robert Solow e principalmente James Tobin, no caso de teoria monetária e mercados financeiros.
2) Os neoclássicos incorporam a teoria keynesia à teoria clássica. São criticados pelos neokeynesianos . Os monetaristas entre os quais se destaca Milton Friedman criticam os neoclássicos e recuperam a teoria clássica.
3) Os neoclássicos são, portanto criticados por dois lados: pelos clássicos e pelos neokeynesianos. Por isto constituem um bom lugar para começar a estudar moeda, pois estão no cruzamento da controvérsia.
4) As aulas se dedicarão a artigos do Friedman e Tobin, mencionados na lista de leitura e colocados na pasta número 28 da biblioteca.
5) O debate ocorre entre os anos 1950 e meados dos anos 70. Características do período: as economias nacionais crescem rapidamente ( no Brasil, crescimento médio de 6% a.a. ), o sistema internacional de pagamentos ainda é regulado pelos acordos de Bretton Woods ( taxa de câmbio fixa e baixa mobilidade de capital, embora o mercado de eurodólar esteja crescendo rapidamente). Os modelos macroeconômicos se concentram em economias fechadas. Modelos de economia aberta são apresentados apenas em cursos de Finanças Internacionais. Hoje vários livros textos de macro já começam com economias abertas e mobilidade de capital. A inflação média mundial é muito maior do que atualmente. Os paises latinoamericanos tem taxas de inflação elevadas e sofrem do que passou a se chamar inflação latina.
6) A política econômica do “mainstream” da época obedece as recomendações da teoria neoclássica—existe uma relação negativa entre inflação e desemprego ( curva de Philips), menos inflação gera mais desemprego, o desemprego não é mais visto como temporário ou decorrente de um problema microeconômico( sindicatos) a política fiscal é estabilizadora Assim, os neoclássicos representam o pensamento vencedor. Enquanto os monetaristas são os críticos conservadores.
7) O debate pode ser analisado a partir das diferenças na conceituação de moeda. A diferença é importante.
8) Para os monetaristas, a moeda facilita as trocas . Como o custo marginal de produção da moeda é zero, a quantidade ótima de moeda a ser retida por cada empresa ou pessoa é dada pelo ponto em que a curva de demanda de moeda (em função da taxa de juros nominal) corta o eixo dos x , isto é, a demanda equivalente a juros nominais zero.( iguais ao custo marginal) . Como existe uma taxa de juros nominal maior do que zero, dada pela taxa de retorno do capital, as pessoas economizam moeda, o que representa uma perda de bem estar social, um desperdício desnecessário. Para evitar este desperdício, seria necessário levar a taxa de juros nominal ( taxa de juros real menos inflação) a zero. Como fazer isto? Gerando uma deflação igual a taxa de retorno do capital. (ver artigo do Bailey, The Welfare Costs of Inflationary Demand). Por outro lado, se houver inflação, o público paga um imposto sobre seus saldos monetários. A inflação gera um custo social chamado de “peso morto” da inflação.
9) A diferença com relação ao pensamento keynesiano é enorme. Para Keynes, a retenção de moeda reduz o montante de investimento e portanto gera uma demanda agregada menor e um nível de emprego ou de crescimento menor. Keynes até especula, apenas teóricamente, sobre a idéia de carimbar dinheiro. O dinheiro só teria valor legal se fosse utilizado periodicamente e cada vez que fosse utilizado seria carimbado. Sem carimbos em datas predeterminadas, perderia o valor.
10) São duas conceituações de dinheiro radicalmente diferentes. Para os monetaristas, dinheiro serve apenas para pagamentos de transações. Para Keynes e os neoclássicos dinheiro é reserva de valor. Portanto, precisamos conceituar o dinheiro rigorosamente se quisermos resolver o dilema entre as duas propostas.
11) Entre os clássicos, a moeda é introduzida no modelo de uma forma “ad hoc”, isto é, não é derivada da teoria geral dos mercados. Não se pode definir uma curva de indiferença entre moeda e outro bem, Por que alguém demandaria moeda que não tem utilidade em si mas serve apenas para facilitar as trocas? A teoria clássica propõe a teoria quantitativa da moeda:
MV= PY
MV- A quantidade de moeda, um estoque, vezes a velocidade de circulação, quantas vezes a moeda muda de mãos por ano.A quantidade de moeda é um estoque ( saldo de meios de pagamento, papel moeda em poder do público mais depósitos a vista). Multiplicada por V, torna-se um fluxo, quanitdade de meios de pagamento que passa pelos mercados POR ANO.
PY- é o produto real Y multiplicado pelo nível geral de preços( o preço médio de todos os produtos e serviços da economia), isto é, o valor do produto nominal, um trilhão de reais por ano, aproximadamente, na economia brasileira atualmente.
Y e constante no curto prazo, por que a economia está sempre em pleno emprego. A velocidade é constante, pois depende de hábitos de pagamento ( salários pagos mensalmente ou semanalmente, grau de integração vertical das empresas) . Se o Banco Central aumenta a quantidade de moeda, M, os preços P aumentam na mesma proporção.
12) A teoria quantitativa pode ser vista como uma identidade: MV é sempre idêntico a PY, por definição.
13) Ou como uma função de comportamento, a demanda de dinheiro. As famílias e empresas demandam dinheiro como uma proporção fixa do produto nominal. Poderia ser escrita como M=k. PY onde k=1/V, ou onde a proporção da renda ou do produto retidos como saldo para financiar transações é uma proporção fixa ( digamos 14% ) da renda nominal. A velocidade neste caso seria aproximadamente 7.
14) Mas de qual a teoria se deriva esta curva de demanda?
15) No artigo “The Quantitative Theory of Money—a Reestatement”, Friedman ( ver o artigo na pasta de Xerox n. 28) formula a teoria que justifica a demanda de moeda especificada pela Teoria Quantitativa da moeda.
16) Resumo simplificado do artigo: o dinheiro é um ativo, um estoque, de propriedade dos indivíduos e empresas. Assim, a demanda deste estoque como a demanda de qualquer outro estoque depende
a- dos rendimentos que paga ou serviços que oferece e
b- da variação esperada do seu preço.
c- das mesmas duas variáveis especificadas para todos os outros estoques substitutos ou complementares deste.
d- do nível de riqueza.
17) A demanda de dinheiro portanto depende de:
a- do rendimento da moeda, zero por definição/ Dinheiro é depósito a vista mais papel moeda em poder do público e ambos não rendem juros.
b- da variação esperada no preço do dinheiro, isto é, da inflação esperada.
c- do rendimento das ações: dividendos ou lucros das empresas mais variação esperada dos seus preços.
c- do rendimento dos títulos de renda fixa: juros de face mais variações nos preços dos títulos.
d- do rendimento do estoque de capital físico : produtividade do capital e variações no preço deste capital.
e- do rendimento do estoque de capital humano: produtividade do capital físico e variações no preço deste capital( medido pela diferença de salário entre pessoas mais educadas e menos educadas) e
f- finalmente, de uma variável escala, a riqueza total, que pode ser medida pelo estoque total de capital multiplicado pelo rendimento médio deste estoque de capital total.
18) A relação entre o rendimento total da moeda e o rendimento dos outros ativos pode ser de substituição ou de complementaridade. Esta é uma questão empírica a ser definida a partir da análise dos dados. O dinheiro pode ser um bem substituto ou complementar ao capital, aos títulos de renda fixa e as ações.
19) As variações do nível geral de preços, por hipótese, afetam apenas o rendimento do dinheiro e o rendimento dos títulos de renda fixa. Os títulos de renda variável não são sensíveis a variação do nível geral de preços. Se adicionarmos a hipótese de que os juros dos títulos de renda fixa são proporcionais ao rendimento do capital e das ações, nem os títulos de renda fixa são sensíveis a variações do nível geral de preços. O nível de produção e o estoque de riqueza são constantes no curto prazo.
20) Com estas hipóteses, a demanda de moeda acaba sendo uma função somente do nível geral de preços e do produto, exatamente como quer a teoria quantitativa da moeda.
21) Friedman construiu a base teórica da teoria quantitativa da moeda. A teoria quantitativa da moeda é uma boa teoria se os testes estatísticos não rejeitarem suas previsões—o nível geral de preços aumenta proporcionalmente ao aumento da quantidade de moeda.
22) A metodologia do Friedman—positivismo instrumental. Não importa o “realismo” das hipóteses. O critério é apenas saber se a teoria funciona. A realidade é inatingível e as hipóteses irrelevantes para distinguir entre boas e más teorias.
23) Testes da Teoria Quantitativa da Moeda. O ajustamento de estoques. A hipótese da renda permanente. As diversas definições estatísticas de dinheiro.
24) Em outro artigo, o professor Harry Johnson, da universidade de Chicago, dirá que a teoria quantitativa da moeda é uma “boa” teoria para economias que tem um mercado de capital pouco desenvolvido. Onde a escolha se dá entre mais dinheiro e menos bens e não entre mais dinheiro e menos de outros ativos financeiros.
25) A quantidade de dinheiro, sob estas hipóteses, não altera o rendimento do capital, dos ativos financeiros que o representam( ações e bonds). Altera apenas o preço dos bens.
26) Na próxima aula vamos analisar dois artigos do Tobin onde o dinheiro é apresentado como ativo que concorre com o capital ou é complementar ao estoque de capital.

sábado, 3 de março de 2007

050307 Terceira aula

A oferta de meios de pagamento


1) O multiplicador de depósitos bancários. Caso simples. Balancete de um banco comercial.
Passsivo Ativo
Capital 10 Caixa 10
Depósitos a vista 90 Empréstimos 90
Total 100 Total 100
Alavancagem : Empréstimos/capital =10

O multiplicador de depósitos –exemplo : Caixa = 0,20 dos depósitos
+100 de depósitos +80 de depósitos noutro banco+0,8.0,8 de 80+,8.0,8.0,8 de 80 +.....= Soma de PG de razão 0,8 = 100/(1-0,8)=500 Razão da PG= 0,8=1-propensão a manter em caixa os depósitos. Multiplicador = 5

2) Se o público retiver 0,10 do empréstimo recebido em papel moeda , multiplicador será 1/1-0,8-0,1 e multiplicador será 3,3333

3) Multiplicador não é mecânico. Ver Tobin, Commercial Banks as Creators of Money na lista de leitura. .

4) Multiplicador da base. B=RC+PMPP. Se RC=aDV e PMPP=bDv então
Base=(a+b)DV.
Meio de Pagamento= DV+PMPP=DV+bDV=(1+b)DV
Meios de pagamento/base=(1+b)/(a+b)=1/(a+b) +b/(a+b)
No denominador , a soma dos “vazamentos” para fora do sistema bancário

5) Política monetária.
Tres Instrumentos- reservas compulsórias, open market e taxa de redesconto.
aumento de reservas compulsórias- aumenta a base e diminue o multiplicador.
aumento da taxa de redesconto- torna mais caro o custo de tomar empréstimos no BCentral. Bancos Comerciais aumentam as reservas para evitar o risco deste empréstimo.
operação de mercado aberto- Banco Central vende títulos . Os compradores de títulos reduzem ou as reservas que tem no Banco Central ou o papel moeda em poder do público. A base se reduz. A taxa de juros aumenta porque há menos meios de pagamentos e porque a oferta maior de títulos diminue o preço dos títulos e consequentemente, aumenta sua taxa de juros.

6) Nota 1- a demanda de moeda para transações também é função da taxa de juros. Uma pessoa ganha e gasta y por mes e faz n retiradas de tamanho z do banco. Então nz=y. O saldo médio desta pessoa é y/2n, igual a área embaixo do triângulo que representa a retirada de dinheiro do banco.
7) Se o objetivo for minimizar o custo de ir ao banco e retirar dinheiro, chamado de custo de transação e represenado por ct e a perda de juros sobre o dinheiro retirado (y/2n)i. o saldo médio ótimo é dado por
8) min CT=nct+ (y/2n)i . Achamos o número ótimo de retiradas, n= raiz quadrada de ( yi/2ct) . E substituindo este n ótimo no saldo médio e simplificando, o saldo médio ótimo é dado por raiz quadrada de (yct/21)
9) min CT=yi/2n +ct.n dCT/dn=-yi/2n**2+ct=0 n=(yi/2ct)**1/2
10) saldo médio = y/2n=(y/2)(1/(yi/2ct)**1/2
11) resolvendo M=saldo médio=(yct/2i)**1/2
12) Assim a demanda de moeda para transações é uma função da taxa de juros elevada a ½. A elasticidade da demanda de moeda para transações com relação a taxa de juros é ½. Ver pagina 415 do Dornbush e Fisher Quinta Edição.

280207 Segunda aula

Mecanismos de transmissão da política monetária.

Numa economia fechada, no modelo IS- LM

1) Para que a oferta monetária afete a demanda agregada numa economia fechada é preciso que:
a) a demanda de investimentos seja sensível a taxa de juros OU
b) a demanda de moeda seja sensível a taxa de juros
Além disto, a oferta monetária afeta a demanda agregada se houver efeito riqueza, isto é, se a maior quantidade de moeda deslocar a função consumo.


2) Para que a oferta monetária afete a oferta agregada é preciso que :
a) a oferta de trabalho não seja homogênea de grau zero para salários nominais e nível de preços
b) exista alguma imperfeição no mercado de trabalho que reduza os salários reais quando o nível geral de preços sobe.

3) Numa economia aberta com taxa de câmbio fixa, a política monetária não produz resultados sobre a taxa de juros porque a movimentação de dinheiro para dentro e para fora do país e desfaz a política monetária inicial.
4) Numa economia aberta com taxa de câmbio flutuante, a política monetária afeta a taxa cambial e aumenta os efeitos da política monetária contracionista ou expansionista.

Na próxima aula, vamos ver como se altera a política monetária.




Perguntas preparatórias para a Primeira Prova

O conjunto de perguntas abaixo foi preparado com o intuito de auxiliá-lo na revisão do modelo IS- LM. Você deve se preparar para responder todas estas perguntas graficamente.

I - Economia fechada (não há importações ou exportações)

a) Mostre graficamente o efeito sobre a demanda agregada de um aumento:
- nos gastos do governo
- no intercepto da função consumo
- no intercepto da demanda de investimentos
b) Quanto aumenta a demanda agregada para cada real de aumento nos gastos do governo? E nos gastos de consumo? O multiplicador de demanda agregada aumenta ou diminui quando consideramos a tributação como função da renda?
c) Se a demanda de investimentos não depende da taxa de juros, como fica, graficamente, a curva IS?
d) Se a oferta agregada não depende do nível geral de preços, qual o aumento da produção decorrente dos gastos do governo? O que é o efeito “crowding out”?

II - Economia aberta com taxa de câmbio fixa e perfeita mobilidade de capital.

a) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento na oferta de meios de pagamento? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira do Banco Central?
b) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento nos gastos do governo? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira?

III - Economia aberta com taxa de câmbio flutuante e perfeita mobilidade de capital
c) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento na oferta de meios de pagamento? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira do Banco Central?
d) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento nos gastos do governo? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira?

IV - Em que casos um aumento na oferta de meios de pagamento não afeta a demanda agregada?

V – Quando um aumento na oferta de meios de pagamento não afeta a oferta agregada?