sábado, 2 de junho de 2007

280507 Décima Quinta Aula--Area Monetária Ótima

280507Décima Quinta Aula-- Área Monetária Ótima: Taxas cambiais fixas e variáveis.


1) S. Paulo deve ter um dinheiro diferente do Rio? Brasil e Argentina devem usar o mesmo dinheiro? Em 2002, a comunidade econômica européia passou a usar uma moeda comum, o euro.
2) Esta é a questão que Mac Kinnon analisa no artigo da lista de leitura. Quais os critérios para estabelecer uma área monetária comum. Ao apresentar esta análise, levanta problemas importantes para o curso: o que determina o valor do dinheiro e a estabilidade deste valor.
3) Se a taxa cambial entre o euro e o dólar fosse fixa e todos confiassem que este valor fixado pudesse ser mantido constante e a conversibilidade de um dinheiro no outro fosse garantida, Estados Unidos e Europa teriam do ponto de vista prático a mesma moeda, ainda que com nomes diferentes e sujeitas a um fator de conversão, a taxa cambial.
4) Portanto, a discussão sobre áreas monetárias ótimas pode ser feita em termos de taxas cambiais fixas e taxas variáveis. Não chamamos de taxas cambiais flutuantes, pois estas seriam determinadas pelo mercado. O artigo discute se as taxas cambiais devem se manter constantes ou variar, seja a variação determinada pelo mercado ou pelas autoridades econômicas.
5) A política macroeconômica tem que atingir dois objetivos: o equilíbrio interno (demanda agregada igual a oferta agregada) e o equilíbrio externo ( entrada de moeda estrangeira igual a saída de moeda estrangeira, isto é, equilíbrio no balanço de pagamentos). Para isto, utiliza dois instrumentos—a política monetária e fiscal, que controla a demanda agregada, e a política cambial.
6) A política monetária e fiscal aumenta ou diminui o grau de absorção da economia, isto é, controla C+I+ G. A política cambial controla a demanda e a oferta agregada de produtos comerciáveis em relação aos produtos não comerciáveis. A política monetária controla o nível da demanda agregada e a política cambial modifica a composição da demanda agregada entre bens comerciáveis e não comerciáveis.
7) Uma redução dos gastos públicos diminui a demanda agregada tanto para bens comerciáveis quanto para bens não comerciáveis. Um aumento da taxa cambial modifica a composição da demanda e da oferta agregada: aumenta a demanda por bens comerciáveis e diminui a demanda e a oferta de bens não comerciáveis. A primeira política é chamada de “demand reducing” e a segunda, de “demand shifting”
8) Mac Kinnon introduz um terceiro objetivo a política macro: a estabilidade do nível geral de preços.
9) O índice geral de preços é dado por P= a.tc.pc+ b.pnc onde os índices c e nc representam os bens comerciáveis e não comerciáveis, a e b, a participação dos comerciáveis e não comerciáveis no PNB.
10) Considera dois casos: no caso de uma economia pequena e aberta e especializada na produção de um bem comerciável, a é grande e b pequeno. Neste caso, a estabilidade da moeda requer que a taxa cambial varie pouco. Pois o valor da moeda depende basicamente da estabilidade de preços dos bens comerciáveis. Para isto é preciso que tc seja estável. Países pequenos, portanto, devem ter taxas cambiais fixas para que tenham uma moeda de valor estável. A política de demand shifting não é eficaz pois a possibilidade de substituição entre bens comerciáveis e não comerciáveis é reduzida. Um desequilíbrio no balanço de pagamentos requer uma redução da demanda agregada tanto para bens comerciáveis como para bens não comerciáveis.
11) No caso de uma economia grande, b é grande e o desequilíbrio do balanço de pagamentos pode ser obtido tanto por demand reducing quanto por demand shifting. A estabilidade do valor da moeda não depende tanto da estabilidade dos preços dos bens comerciáveis.
12) Países pequenos e especializados na produção de alguns produtos precisam ter taxas cambiais fixas, isto é, tem que fazer parte de uma área monetária maior. Paises grandes com grande participação de produtos não comerciáveis podem ter moeda própria.
13) Se o mundo tiver estabilidade de preços e um país específico, não, é bom que a taxa cambial seja fixa para que se “importe“ estabilidade de preços. Se o mundo tiver inflação e o país não, é melhor ter taxas cambiais variáveis para proteger o país da inflação do resto do mundo.
14) Do ponto de vista deste curso e do problema inflacionário, o artigo chama a atenção do papel da taxa de câmbio no controle da inflação e sobre a possibilidade de um país ter moeda própria ou fazer parte de uma área monetária maior, através da manutenção de taxas de câmbio fixas.
15) No caso de países grandes, a taxa de câmbio funciona como um substituto para a flexibilidade de preços nominais. Se os salários não caem em termos nominais, a variação da taxa cambial muda o valor do salário real em termos de bens comerciáveis e portanto provoca um ajuste que a política de controle da demanda agregada não consegue fazer sem grande impacto sobre a produção e o emprego domésticos.
16) Um economista clássico consideraria a discussão irrelevante, pois supõe que os preços são nominalmente flexíveis e portanto não faz diferença procurar o equilíbrio via taxa cambial ou via demanda agregada em geral.

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