sábado, 9 de junho de 2007

110706 Décima Nona Aula—Comentários finais variados.

110706 Décima Nona Aula—Comentários finais variados.


1) Nesta última aula, apresentamos diversos comentários a guisa de conclusão do curso.
2) O debate sobre teoria monetária entre clássicos e seus herdeiros e não clássicos e seus herdeiros permanecem.
3) Para os clássicos, o dinheiro é apenas um instrumento que “viabiliza uma imensa economia de trocas”.
4) A inflação resulta do excesso de dinheiro, causado pelo déficit público.
5) O mundo mudou e não se pode mais falar em controle da quantidade de moeda. Vivemos numa economia de “credito puro”como definida por Wicksell. A taxa de juros é variável que pode ser controlada. Mas variações nas taxas de juros aumentam a despesa do governo que deveria compensá-la por reduções nas outras despesas, não importa o caráter destas despesas.
6) Os não clássicos apontam o processo de formação de preços na economia moderna como principal causa do fenômeno inflacionário.
7) Apesar de se afirmar que o keynesianismo morreu, a linguagem do regime de metas de inflação que menciona “core inflation”, inflação de preços competitivos, inflação de preços administrados e efeito transmissão é uma linguagem mais consistente com as teorias keynesiana e/ou estruturalista do que com o pensamento clássico.
8) No caso do Brasil, a dívida pública é de prazo muito curto e uma grande parte dela, indexada a inflação ou aos juros do dia. Trocar dinheiro por dívida pública é trocar um instrumento liquido, o dinheiro, por outro, igualmente líquido com as vantagens adicionais de render juros elevados e a prova de variações na política monetária.
9) Quando o Banco Central americano aumenta as taxas de juros, a demanda se contrai por vários mecanismos. Primeiro há uma perda de capital na dívida de juros fixos lançada anteriormente. Há uma redução na riqueza do setor privado que deve contrair consumo. E reduz-se o investimento. A despesa pública do Tesouro Americano com juros aumenta apenas no que se refere a dívida nova.
10) Quando o Banco Central brasileiro aumenta as taxas de juros, não há perda de capital significante. Pois a maior parte da dívida é de juros flutuantes. Portanto, não há perda de capital para os carregadores da dívida nem efeito riqueza que induza a redução do consumo privado. Por outro lado, as despesas com juros aumentam sobre o total da dívida emitida. Aumentam os pagamentos de transferência, os pagamentos de juros, semelhantes ao pagamento de aposentadorias e computados como parte da renda pessoal de acordo com a contabilidade nacional.
11) A acusação permanente do déficit público como responsável pela inflação não considera o fato de que uma parte considerável das despesas do governo são despesas com juros. Se os juros reais fossem de 6% a.a. o governo brasileiro teria déficit nominal nulo no ano de2006 e2007.
12) O que aconteceu na realidade no mundo inteiro depois dos anos 80 foi a modificação das prioridades da política econômica. O emprego deixou de ter a prioridade anterior, do período keynesiano, e a inflação passou a ser o único objetivo.
13) Isto foi possível graças à mobilidade internacional do capital financeiro e a liberação das importações. Trabalhadores do mundo inteiro concorrem com os trabalhadores chineses através das exportações chinesas.
14) A curva de Philips continua tendo declividade negativa, no curto prazo, sempre e o longo prazo, continua distante. Mas o emprego deixou de ser variável relevante.
15) A política econômica atual, no Brasil e no mundo, procura a inflação baixa como objetivo principal. A existência de uma reserva de valor garantida contra a inflação é a preocupação principal. Entretanto, num mundo de mercados de produtos diferenciados e formação de preço baseada na política de cost plus este é um objetivo caro de ser obtido, quando se considera o custo em termos de emprego e produção.
16) Nos anos 70, Galbraith previu que o enriquecimento do mundo aumentaria a demanda por bens públicos como o lazer e o meio ambiente. Errou redondamente. O enriquecimento do mundo aumentou a demanda por dinheiro e ativos financeiros que passaram a ser o ativo preferido dos investidores do mundo inteiro. A política macroeconômica tenta atender a esta demanda maior garantindo estabilidade de preços e relegando o emprego a prioridade menor.

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