sábado, 17 de março de 2007

190307 Quinta Aula

190307 Quinta Aula

Monetaristas e Neoclássicos: a moeda na teoria econômica.

1) Preocupação dos neoclássicos: como incluir a moeda nos modelos econômicos marginalistas de forma consistente com as hipóteses de maximização de utilidade e de lucro?
2) PRIMEIRO AS BASES MICRO ECONÔMICAS. Moeda analisada como ativo financeiro e escolha entre ativos financeiros considerando o risco associado a cada um .
3) “Liquidity as a behavior toward risk” Review of Economic Studies 25 No.67 (February 1958) ”
4) Qual a justificativa para a existência da demanda de moeda para especulação? Suponha que existam dois ativos: dinheiro e títulos perpétuos( consolos) . Dinheiro rende juros zero. Os consolos rendem juros r e tem preço corrente igual a 1/r. Se a taxa de juros esperada for re, diferente de r, o rendimento de um consolo será dado por
a) r
b) mais a variação esperada do preço do título( ganho ou perda de capital) dada por g=(r-re)/re=r/re -1.
c) o investidor vai comprar consolos ou reter moeda se r+g for maior do que zero. Do contrário, ficará com dinheiro e não compra título algum.
d) Conclusão: reter ou não reter moeda para especulação será uma decisão tipo “tudo ou nada”. A demanda de moeda para especulação seria um ponto.
e) Se supusermos que o público tem diferentes expectativas de re, poderíamos desenhar uma demanda de moeda em função de r. Para cada r, alguns indivíduos ficariam só com dinheiro e outros comprariam títulos perpétuos.

5) Outra justificativa: atitude com relação ao risco. Utilidade da renda é função da renda média esperada e do risco associado a esta esperada.
6) Podemos especificar o comportamento individual supondo que a curva de utilidade leva em conta apenas a média e a variância. Ou, que a distribuição de probabilidades é normal, que pode ser descrita apenas por estes dois parâmetros—média e variância. São duas hipóteses alternativas para simplificar o problema e permitir que escrevamos a função utilidade como U=U(m, sigma 2).
7) Um portfolio terá a proporção A1 de dinheiro e A2 de consolos sendo que A1 +A 2 =1.
8) O retorno do portfolio é dado por R=A2(r+g) com retorno médio dado por E(R)= A2.r e variância(R)=A2.variância(g)
9) A taxa de troca entre rendimento esperado A2.r e risco deste rendimento é dada por
E(R)/ var(R) =A2.r/(A2.var(g)=r/(A2.var(g))
Ou
E(R)={r/var(g)}.var(R) que é a “linha de orçamento”entre risco e retorno. Maior o risco , menor A2 , isto é a participação dos consolos no portfolio. E menor o risco, maior A2.


1) SEGUNDO , A MOEDA COMO UM ATIVO ENTRE OUTROS ATIVOS. (artigo do Tobin “Money and Other Stores of Value”, American Ec\onomic Review (Papers and Proceedings),51 ( May 1961),26-37, é preciso analisar moeda como um ativo entre os vários ativos que compõem o estoque de riqueza e as decisões sobre o estoque de riqueza separadamente das decisões sobre consumo e não consumo.
2) Restrição orçamentária dada pelo estoque total de riqueza. Ativos: a) meios de pagamentos b) depósitos a vista c) títulos públicos d) capital físico e se quisermos e) dívida privada. Riqueza total do setor privado é dada por a+c+d. Depósitos a vista cancelam com empréstimos do setor privado e na riqueza total desaparecem.
3) A decisão de não consumir não implica na decisão de reter moeda. Não consumir é decisão de aumentar o estoque de riqueza o que pode ser feito através da compra de diferentes ativos, entre os quais moeda.
4) No curto prazo, estoque de riqueza constante. Só pode ser aumentado por decisões de poupança que adicionam novos ativos ao estoque lentamente. “Raciocínio sobre o aumento de oferta de meios de pagamento como aumentando o estoque de riqueza (dinheiro caindo do céu por helicóptero) pode ser instrutivo desde que se lembre que não é assim que o Banco Central altera a quantidade de moeda”( crítica a teoria quantitativa da moeda e a idéia de que mais moeda torna o público mais rico e este troca moeda por bens). Política monetária atua geralmente pela troca de ativos mais líquidos por ativos menos líquidos ( operações de mercado aberto). Consumo maior está associado a estoque de riqueza maior e não a excesso de moeda, pois excesso de moeda pode ser compensado por uma realocação de portfolio.
4) No modelo keynesiano, existem apenas dois ativos : dinheiro e capital e nenhum outro ativo financeiro monetário( quase moeda, títulos de renda fixa e curto prazo). Na tradição da Teoria Quantitativa , que também só considerava estes dois ativos, por que não se considerava a taxa de retorno do capital como custo de oportunidade de reter dinheiro? Porque consideravam a taxa de retorno do capital constante.
5) Se considerarmos vários ativos monetários—títulos do governo de curto e longo prazo, dinheiro e capital, os efeitos da política monetária passam a depender da relação de substituição e complementaridade entre os ativos considerados.
6) Primeira alternativa: todos os ativos monetários considerados como perfeitos substitutos do dinheiro e substitutos imperfeitos do capital. Ou seja dinheiro e títulos públicos são perfeitos substitutos. Dinheiro é meio de pagamento e depende da renda nominal. Capital é o outro ativo. Assim, diferencial entre taxa de retorno dos ativos monetários e capital é determinada pela oferta relativa dos dois tipos de ativo. A taxa de juros depende da taxa de juros dos ativos monetários relativamente ao estoque de riqueza. A política monetária altera a taxa de juros destes dois ativos e consequentemente a taxa de juros exigida dos investimentos em capital físico.
7) Segunda alternativa: ativos monetários do governo de curto prazo são substitutos perfeitos do dinheiro, mas capital concorre com ativos de longo prazo dos títulos do governo. Neste caso, política monetária afeta taxa de juros dos ativos monetários entre estes ativos e a taxa de juros do capital e dos títulos de longo prazo que são substitutos perfeitos entre si.
8) Considere agora os efeitos de uma política fiscal superavitária que recompre títulos de longo prazo. Do lado dos fluxos, isto é, da demanda agregada de consumo, o efeito é contracionista por causa do aumento de impostos maior do que o de gastos. Qual o efeito sobre o portfolio do setor privado e sobre os investimentos?
9) Na primeira alternativa—menos títulos de longo prazo relativamente a oferta de dinheiro, cai a taxa de juros “monetária” e aumenta o investimento. A política monetária é expansionista. Caso do modelo IS e livro texto. Onde existe crowding out.
10) Na segunda alternativa—menos títulos de longo prazo relativamente à oferta de capital, os investidores vão exigir uma taxa de retorno maior sobre o capital e os investimentos vão diminuir. A política monetária que retira títulos do governo de circulação é contracionista.
10) Qual é o melhor modelo?
11) O melhor indicador para saber o que vai acontecer com os investimentos é a comparação entre o preço que os investidores exigem para reter capital a preços correntes, o preço de oferta do capital, e a produtividade marginal do capital. Em outras palavras: o custo de produzir novo capital relativamente ao preço corrente do capital( preço das ações). Este índice é o chamado q de Tobin. Na prática, o índice de preço/ lucro da bolsa de valores.
12) Qual seria o resultado de uma recompra de títulos públicos no Brasil? Se o estoque da dívida se reduzir, o efeito é expansionista ou contracionista sobre os investimentos? Existe crowding out ou ao contrário, o efeito da redução de dívida pública provocará crowding out? Ou o contrário?

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