Sexta Aula 260607
Moeda e crescimento econômico.
1) Os monetaristas resgatam a teoria clássica da moeda - um facilitador das trocas de bens e do processo produtivo, que não afeta o emprego e a taxa de crescimento da economia. O dinheiro é um bem como outro qualquer, como as batatas, cujo preço depende essencialmente da demanda e oferta de batatas e tem pouca influência no resto da economia. O funcionamento da economia, portanto, continua sendo “racional”—trabalhamos para viver e usamos o dinheiro apenas como um instrumento auxiliar.
2) Consequentemente, não se pode falar em moeda e crescimento entre os monetaristas, já que o crescimento depende apenas de fatores reais.
3) Comentário: são chamados de “monetaristas” os economistas que afirmam que a moeda não faz diferença para o mundo real, apenas atrapalha. Ilude trabalhadores e empresários e permite que o governo gaste sem autorização legislativa. Fazem ou fizeram boa teoria monetária apenas para mostrar que a moeda é irrelevante para o lado real da economia. Seria análogo a chamar os cientistas que argumentam que o efeito estufa não é importante, de “ambientalistas”.
4) Para os neoclássicos, demanda e oferta de moeda afetam a taxa de crescimento da economia no longo prazo. Pois o dinheiro compete com o capital físico na carteira de ativos . Se os investidores desejam reter mais dinheiro, reterão menos capital. A relação capital/ trabalho será menor, e menor, consequentemente, será a produtividade da mão de obra e os salários.
5) A Teoria Geral apresentou uma economia capitalista que podia estar em equilíbrio com desemprego—uma contradição. Esta possibilidade decorre de várias coisas: 1) por que a decisão de investir é separada pelo mercado financeiro, da decisão de poupar; 2) por que se investimento for diferente da poupança, o ajuste se dá pelo nível de produção (muda o nível de renda) e não pela taxa de juros. Finalmente, 3) por que mudanças do nível geral de preços, que modificam o estoque real de meios de pagamento não levam a economia de volta ao nível de pleno emprego (se o efeito Pigou não for relevante, como as evidências empíricas sugerem). A economia capitalista é instável e pode se estabilizar com desemprego elevado.
6) Esta conclusão foi apresentada no modelo de crescimento de Harrod.
a) Harrod supôs uma função de produção a coeficientes fixos y=a.k ( função de produção)
b) S=sy ( poupança, função comportamento)
c) população e força de trabalho crescem a taxa n.
d) I=S ( condição de equilíbrio)
7) Resolvendo o modelo temos sY=I=delta K ( investimento é igual ao aumento—delta—do estoque de capital)
8) Dividindo tudo por K, temos sY/K=delta K/K ou sa=delta K/K ou seja a relação produto capital vezes a propensão marginal a poupar é igual em equilíbrio a taxa de crescimento do estoque de capital. Se a taxa de poupança for 20% e a relação produto capital 25% a taxa de crescimento é 5%. Esta taxa foi chamada de taxa garantida de crescimento—warranted rate of growth , gw.
9) Gw, ou sa pode ser maior, menor ou igual do que n, taxa de crescimento da população, chamada de taxa natural de crescimento.
10) Se for maior, a relação capital-trabalho é crescente e consequentemente a produtividade marginal do capital cairá constantemente. Faltará mão de obra, haverá uma tendência inflacionária. Não está claro no modelo como isto aconteceria.
11) Se for menor, a relação capital- trabalho é decrescente e se os capitalistas insistirem numa taxa mínima de retorno sobre o capital, haverá desemprego.
12) A economia tende ao equilíbrio quando a taxa garantida é igual a taxa de crescimento da população. Este equilíbrio pode ser aceitável ou não para os capitalistas.
13) O mecanismo de ajuste da taxa crescimento do estoque de capital a taxa de crescimento da força de trabalho, pode levar a uma relação capital trabalho e um retorno de capital inaceitável para os capitalistas. Mas se estão poupando mais do que querem e não aceitam o declínio da taxa de retorno do capital, onde alocam a poupança excessiva?
14) Assim, o modelo de Harrod fala da economia capitalista como uma economia instável. Harrod pode ser chamado de neokeynesiano.
15) Os neoclássicos contra argumentam. O resultado de Harrod decorre de uma hipótese especial, isto é, dos coeficientes fixos de produção. Solow entre outros desenvolve outro modelo, onde a função de produção admite substituição entre mão de obra e capital. Esta substituição depende dos preços da mão de obra e do capital. Cria portanto a possibilidade técnica de ajuste da produção e um mecanismo de ajuste ( salários e aluguel do capital) que levariam a economia a uma taxa de crescimento estável com pleno emprego. Constrói o modelo a partir do que foi chamado “fatos estilizados”: as economias capitalistas crescem a uma taxa constante, a relação capital trabalho é constante e a participação dos salários no produto é constante.
16) Observação: mais tarde, economistas de Cambridge Inglaterra iniciam polêmica com os economistas de Cambridge EUA ( Harvard e MIT). Argumentam que não é possível chegar a uma medida do estoque agregado de capital logicamente consistente. Esta polëmica nunca foi resolvida e continuamos a falar do estoque de capital como se fosse uma medida possível logicamente.
17) Nesta discussão, o artigo do Tobin responde a seguinte pergunta: como é possível que os capitalistas exijam uma taxa mínima de retorno sobre o capital como no item 10 acima? A resposta é—em ativos monetários. A taxa mínima requerida pelos investidores é a taxa de juros monetária fixada exógenamente pelo governo ou pelo mau funcionamento do mercado financeiro.
18) Veja o gráfico que vai ser dado em aula no artigo mencionado do Tobin.
19) A taxa de juros dos ativos monetários afeta, no longo prazo, a taxa de formação de capital e a relação capital trabalho. Pode, portanto, mudar o caminho de crescimento da economia.
20) Para que a taxa de juros monetária permaneça acima da taxa de retorno com uma relação capital – trabalho maior, o governo precisa produzir um déficit igual ao excesso de poupança sobre investimentos. A taxa de crescimento da economia fica igual a taxa de crescimento natural e igual a taxa de juros, maior do que se não existisse o déficit. A relação capital trabalho é menor e os salários menores. O nível de emprego, menor. Esta é a situação dada pelo curva S 3 e a relação capital trabalho K h do gráfico.
21) Em conclusão: o dinheiro afeta a composição da carteira de ativos da economia, a taxa de juros do capital e a relação capital trabalho e os salários .
22) Se a população cresce 2% a.a., e a taxa de retorno do capital assim como a taxa de juros dos ativos monetários for maior do que 2% a.a. a participação dos juros e lucros é crescente e a participação dos salários decrescentes. A participação das despesas do governo é crescente por causa dos juros que paga sobre a divida publlica que está emitindo .A situação é insustentável no longo prazo. No longo prazo, a conclusão é monetarista—temos que voltar para o ponto k1 do gráfico. Tobin não tira esta conclusão no artigo. Nem se sabe quão longo é o longo prazo.
23) Faça uma analogia com o caso brasileiro.
terça-feira, 27 de março de 2007
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