Sexta Aula 260607
Moeda e crescimento econômico.
1) Os monetaristas resgatam a teoria clássica da moeda - um facilitador das trocas de bens e do processo produtivo, que não afeta o emprego e a taxa de crescimento da economia. O dinheiro é um bem como outro qualquer, como as batatas, cujo preço depende essencialmente da demanda e oferta de batatas e tem pouca influência no resto da economia. O funcionamento da economia, portanto, continua sendo “racional”—trabalhamos para viver e usamos o dinheiro apenas como um instrumento auxiliar.
2) Consequentemente, não se pode falar em moeda e crescimento entre os monetaristas, já que o crescimento depende apenas de fatores reais.
3) Comentário: são chamados de “monetaristas” os economistas que afirmam que a moeda não faz diferença para o mundo real, apenas atrapalha. Ilude trabalhadores e empresários e permite que o governo gaste sem autorização legislativa. Fazem ou fizeram boa teoria monetária apenas para mostrar que a moeda é irrelevante para o lado real da economia. Seria análogo a chamar os cientistas que argumentam que o efeito estufa não é importante, de “ambientalistas”.
4) Para os neoclássicos, demanda e oferta de moeda afetam a taxa de crescimento da economia no longo prazo. Pois o dinheiro compete com o capital físico na carteira de ativos . Se os investidores desejam reter mais dinheiro, reterão menos capital. A relação capital/ trabalho será menor, e menor, consequentemente, será a produtividade da mão de obra e os salários.
5) A Teoria Geral apresentou uma economia capitalista que podia estar em equilíbrio com desemprego—uma contradição. Esta possibilidade decorre de várias coisas: 1) por que a decisão de investir é separada pelo mercado financeiro, da decisão de poupar; 2) por que se investimento for diferente da poupança, o ajuste se dá pelo nível de produção (muda o nível de renda) e não pela taxa de juros. Finalmente, 3) por que mudanças do nível geral de preços, que modificam o estoque real de meios de pagamento não levam a economia de volta ao nível de pleno emprego (se o efeito Pigou não for relevante, como as evidências empíricas sugerem). A economia capitalista é instável e pode se estabilizar com desemprego elevado.
6) Esta conclusão foi apresentada no modelo de crescimento de Harrod.
a) Harrod supôs uma função de produção a coeficientes fixos y=a.k ( função de produção)
b) S=sy ( poupança, função comportamento)
c) população e força de trabalho crescem a taxa n.
d) I=S ( condição de equilíbrio)
7) Resolvendo o modelo temos sY=I=delta K ( investimento é igual ao aumento—delta—do estoque de capital)
8) Dividindo tudo por K, temos sY/K=delta K/K ou sa=delta K/K ou seja a relação produto capital vezes a propensão marginal a poupar é igual em equilíbrio a taxa de crescimento do estoque de capital. Se a taxa de poupança for 20% e a relação produto capital 25% a taxa de crescimento é 5%. Esta taxa foi chamada de taxa garantida de crescimento—warranted rate of growth , gw.
9) Gw, ou sa pode ser maior, menor ou igual do que n, taxa de crescimento da população, chamada de taxa natural de crescimento.
10) Se for maior, a relação capital-trabalho é crescente e consequentemente a produtividade marginal do capital cairá constantemente. Faltará mão de obra, haverá uma tendência inflacionária. Não está claro no modelo como isto aconteceria.
11) Se for menor, a relação capital- trabalho é decrescente e se os capitalistas insistirem numa taxa mínima de retorno sobre o capital, haverá desemprego.
12) A economia tende ao equilíbrio quando a taxa garantida é igual a taxa de crescimento da população. Este equilíbrio pode ser aceitável ou não para os capitalistas.
13) O mecanismo de ajuste da taxa crescimento do estoque de capital a taxa de crescimento da força de trabalho, pode levar a uma relação capital trabalho e um retorno de capital inaceitável para os capitalistas. Mas se estão poupando mais do que querem e não aceitam o declínio da taxa de retorno do capital, onde alocam a poupança excessiva?
14) Assim, o modelo de Harrod fala da economia capitalista como uma economia instável. Harrod pode ser chamado de neokeynesiano.
15) Os neoclássicos contra argumentam. O resultado de Harrod decorre de uma hipótese especial, isto é, dos coeficientes fixos de produção. Solow entre outros desenvolve outro modelo, onde a função de produção admite substituição entre mão de obra e capital. Esta substituição depende dos preços da mão de obra e do capital. Cria portanto a possibilidade técnica de ajuste da produção e um mecanismo de ajuste ( salários e aluguel do capital) que levariam a economia a uma taxa de crescimento estável com pleno emprego. Constrói o modelo a partir do que foi chamado “fatos estilizados”: as economias capitalistas crescem a uma taxa constante, a relação capital trabalho é constante e a participação dos salários no produto é constante.
16) Observação: mais tarde, economistas de Cambridge Inglaterra iniciam polêmica com os economistas de Cambridge EUA ( Harvard e MIT). Argumentam que não é possível chegar a uma medida do estoque agregado de capital logicamente consistente. Esta polëmica nunca foi resolvida e continuamos a falar do estoque de capital como se fosse uma medida possível logicamente.
17) Nesta discussão, o artigo do Tobin responde a seguinte pergunta: como é possível que os capitalistas exijam uma taxa mínima de retorno sobre o capital como no item 10 acima? A resposta é—em ativos monetários. A taxa mínima requerida pelos investidores é a taxa de juros monetária fixada exógenamente pelo governo ou pelo mau funcionamento do mercado financeiro.
18) Veja o gráfico que vai ser dado em aula no artigo mencionado do Tobin.
19) A taxa de juros dos ativos monetários afeta, no longo prazo, a taxa de formação de capital e a relação capital trabalho. Pode, portanto, mudar o caminho de crescimento da economia.
20) Para que a taxa de juros monetária permaneça acima da taxa de retorno com uma relação capital – trabalho maior, o governo precisa produzir um déficit igual ao excesso de poupança sobre investimentos. A taxa de crescimento da economia fica igual a taxa de crescimento natural e igual a taxa de juros, maior do que se não existisse o déficit. A relação capital trabalho é menor e os salários menores. O nível de emprego, menor. Esta é a situação dada pelo curva S 3 e a relação capital trabalho K h do gráfico.
21) Em conclusão: o dinheiro afeta a composição da carteira de ativos da economia, a taxa de juros do capital e a relação capital trabalho e os salários .
22) Se a população cresce 2% a.a., e a taxa de retorno do capital assim como a taxa de juros dos ativos monetários for maior do que 2% a.a. a participação dos juros e lucros é crescente e a participação dos salários decrescentes. A participação das despesas do governo é crescente por causa dos juros que paga sobre a divida publlica que está emitindo .A situação é insustentável no longo prazo. No longo prazo, a conclusão é monetarista—temos que voltar para o ponto k1 do gráfico. Tobin não tira esta conclusão no artigo. Nem se sabe quão longo é o longo prazo.
23) Faça uma analogia com o caso brasileiro.
terça-feira, 27 de março de 2007
sábado, 17 de março de 2007
190307 Quinta Aula
190307 Quinta Aula
Monetaristas e Neoclássicos: a moeda na teoria econômica.
1) Preocupação dos neoclássicos: como incluir a moeda nos modelos econômicos marginalistas de forma consistente com as hipóteses de maximização de utilidade e de lucro?
2) PRIMEIRO AS BASES MICRO ECONÔMICAS. Moeda analisada como ativo financeiro e escolha entre ativos financeiros considerando o risco associado a cada um .
3) “Liquidity as a behavior toward risk” Review of Economic Studies 25 No.67 (February 1958) ”
4) Qual a justificativa para a existência da demanda de moeda para especulação? Suponha que existam dois ativos: dinheiro e títulos perpétuos( consolos) . Dinheiro rende juros zero. Os consolos rendem juros r e tem preço corrente igual a 1/r. Se a taxa de juros esperada for re, diferente de r, o rendimento de um consolo será dado por
a) r
b) mais a variação esperada do preço do título( ganho ou perda de capital) dada por g=(r-re)/re=r/re -1.
c) o investidor vai comprar consolos ou reter moeda se r+g for maior do que zero. Do contrário, ficará com dinheiro e não compra título algum.
d) Conclusão: reter ou não reter moeda para especulação será uma decisão tipo “tudo ou nada”. A demanda de moeda para especulação seria um ponto.
e) Se supusermos que o público tem diferentes expectativas de re, poderíamos desenhar uma demanda de moeda em função de r. Para cada r, alguns indivíduos ficariam só com dinheiro e outros comprariam títulos perpétuos.
5) Outra justificativa: atitude com relação ao risco. Utilidade da renda é função da renda média esperada e do risco associado a esta esperada.
6) Podemos especificar o comportamento individual supondo que a curva de utilidade leva em conta apenas a média e a variância. Ou, que a distribuição de probabilidades é normal, que pode ser descrita apenas por estes dois parâmetros—média e variância. São duas hipóteses alternativas para simplificar o problema e permitir que escrevamos a função utilidade como U=U(m, sigma 2).
7) Um portfolio terá a proporção A1 de dinheiro e A2 de consolos sendo que A1 +A 2 =1.
8) O retorno do portfolio é dado por R=A2(r+g) com retorno médio dado por E(R)= A2.r e variância(R)=A2.variância(g)
9) A taxa de troca entre rendimento esperado A2.r e risco deste rendimento é dada por
E(R)/ var(R) =A2.r/(A2.var(g)=r/(A2.var(g))
Ou
E(R)={r/var(g)}.var(R) que é a “linha de orçamento”entre risco e retorno. Maior o risco , menor A2 , isto é a participação dos consolos no portfolio. E menor o risco, maior A2.
1) SEGUNDO , A MOEDA COMO UM ATIVO ENTRE OUTROS ATIVOS. (artigo do Tobin “Money and Other Stores of Value”, American Ec\onomic Review (Papers and Proceedings),51 ( May 1961),26-37, é preciso analisar moeda como um ativo entre os vários ativos que compõem o estoque de riqueza e as decisões sobre o estoque de riqueza separadamente das decisões sobre consumo e não consumo.
2) Restrição orçamentária dada pelo estoque total de riqueza. Ativos: a) meios de pagamentos b) depósitos a vista c) títulos públicos d) capital físico e se quisermos e) dívida privada. Riqueza total do setor privado é dada por a+c+d. Depósitos a vista cancelam com empréstimos do setor privado e na riqueza total desaparecem.
3) A decisão de não consumir não implica na decisão de reter moeda. Não consumir é decisão de aumentar o estoque de riqueza o que pode ser feito através da compra de diferentes ativos, entre os quais moeda.
4) No curto prazo, estoque de riqueza constante. Só pode ser aumentado por decisões de poupança que adicionam novos ativos ao estoque lentamente. “Raciocínio sobre o aumento de oferta de meios de pagamento como aumentando o estoque de riqueza (dinheiro caindo do céu por helicóptero) pode ser instrutivo desde que se lembre que não é assim que o Banco Central altera a quantidade de moeda”( crítica a teoria quantitativa da moeda e a idéia de que mais moeda torna o público mais rico e este troca moeda por bens). Política monetária atua geralmente pela troca de ativos mais líquidos por ativos menos líquidos ( operações de mercado aberto). Consumo maior está associado a estoque de riqueza maior e não a excesso de moeda, pois excesso de moeda pode ser compensado por uma realocação de portfolio.
4) No modelo keynesiano, existem apenas dois ativos : dinheiro e capital e nenhum outro ativo financeiro monetário( quase moeda, títulos de renda fixa e curto prazo). Na tradição da Teoria Quantitativa , que também só considerava estes dois ativos, por que não se considerava a taxa de retorno do capital como custo de oportunidade de reter dinheiro? Porque consideravam a taxa de retorno do capital constante.
5) Se considerarmos vários ativos monetários—títulos do governo de curto e longo prazo, dinheiro e capital, os efeitos da política monetária passam a depender da relação de substituição e complementaridade entre os ativos considerados.
6) Primeira alternativa: todos os ativos monetários considerados como perfeitos substitutos do dinheiro e substitutos imperfeitos do capital. Ou seja dinheiro e títulos públicos são perfeitos substitutos. Dinheiro é meio de pagamento e depende da renda nominal. Capital é o outro ativo. Assim, diferencial entre taxa de retorno dos ativos monetários e capital é determinada pela oferta relativa dos dois tipos de ativo. A taxa de juros depende da taxa de juros dos ativos monetários relativamente ao estoque de riqueza. A política monetária altera a taxa de juros destes dois ativos e consequentemente a taxa de juros exigida dos investimentos em capital físico.
7) Segunda alternativa: ativos monetários do governo de curto prazo são substitutos perfeitos do dinheiro, mas capital concorre com ativos de longo prazo dos títulos do governo. Neste caso, política monetária afeta taxa de juros dos ativos monetários entre estes ativos e a taxa de juros do capital e dos títulos de longo prazo que são substitutos perfeitos entre si.
8) Considere agora os efeitos de uma política fiscal superavitária que recompre títulos de longo prazo. Do lado dos fluxos, isto é, da demanda agregada de consumo, o efeito é contracionista por causa do aumento de impostos maior do que o de gastos. Qual o efeito sobre o portfolio do setor privado e sobre os investimentos?
9) Na primeira alternativa—menos títulos de longo prazo relativamente a oferta de dinheiro, cai a taxa de juros “monetária” e aumenta o investimento. A política monetária é expansionista. Caso do modelo IS e livro texto. Onde existe crowding out.
10) Na segunda alternativa—menos títulos de longo prazo relativamente à oferta de capital, os investidores vão exigir uma taxa de retorno maior sobre o capital e os investimentos vão diminuir. A política monetária que retira títulos do governo de circulação é contracionista.
10) Qual é o melhor modelo?
11) O melhor indicador para saber o que vai acontecer com os investimentos é a comparação entre o preço que os investidores exigem para reter capital a preços correntes, o preço de oferta do capital, e a produtividade marginal do capital. Em outras palavras: o custo de produzir novo capital relativamente ao preço corrente do capital( preço das ações). Este índice é o chamado q de Tobin. Na prática, o índice de preço/ lucro da bolsa de valores.
12) Qual seria o resultado de uma recompra de títulos públicos no Brasil? Se o estoque da dívida se reduzir, o efeito é expansionista ou contracionista sobre os investimentos? Existe crowding out ou ao contrário, o efeito da redução de dívida pública provocará crowding out? Ou o contrário?
Monetaristas e Neoclássicos: a moeda na teoria econômica.
1) Preocupação dos neoclássicos: como incluir a moeda nos modelos econômicos marginalistas de forma consistente com as hipóteses de maximização de utilidade e de lucro?
2) PRIMEIRO AS BASES MICRO ECONÔMICAS. Moeda analisada como ativo financeiro e escolha entre ativos financeiros considerando o risco associado a cada um .
3) “Liquidity as a behavior toward risk” Review of Economic Studies 25 No.67 (February 1958) ”
4) Qual a justificativa para a existência da demanda de moeda para especulação? Suponha que existam dois ativos: dinheiro e títulos perpétuos( consolos) . Dinheiro rende juros zero. Os consolos rendem juros r e tem preço corrente igual a 1/r. Se a taxa de juros esperada for re, diferente de r, o rendimento de um consolo será dado por
a) r
b) mais a variação esperada do preço do título( ganho ou perda de capital) dada por g=(r-re)/re=r/re -1.
c) o investidor vai comprar consolos ou reter moeda se r+g for maior do que zero. Do contrário, ficará com dinheiro e não compra título algum.
d) Conclusão: reter ou não reter moeda para especulação será uma decisão tipo “tudo ou nada”. A demanda de moeda para especulação seria um ponto.
e) Se supusermos que o público tem diferentes expectativas de re, poderíamos desenhar uma demanda de moeda em função de r. Para cada r, alguns indivíduos ficariam só com dinheiro e outros comprariam títulos perpétuos.
5) Outra justificativa: atitude com relação ao risco. Utilidade da renda é função da renda média esperada e do risco associado a esta esperada.
6) Podemos especificar o comportamento individual supondo que a curva de utilidade leva em conta apenas a média e a variância. Ou, que a distribuição de probabilidades é normal, que pode ser descrita apenas por estes dois parâmetros—média e variância. São duas hipóteses alternativas para simplificar o problema e permitir que escrevamos a função utilidade como U=U(m, sigma 2).
7) Um portfolio terá a proporção A1 de dinheiro e A2 de consolos sendo que A1 +A 2 =1.
8) O retorno do portfolio é dado por R=A2(r+g) com retorno médio dado por E(R)= A2.r e variância(R)=A2.variância(g)
9) A taxa de troca entre rendimento esperado A2.r e risco deste rendimento é dada por
E(R)/ var(R) =A2.r/(A2.var(g)=r/(A2.var(g))
Ou
E(R)={r/var(g)}.var(R) que é a “linha de orçamento”entre risco e retorno. Maior o risco , menor A2 , isto é a participação dos consolos no portfolio. E menor o risco, maior A2.
1) SEGUNDO , A MOEDA COMO UM ATIVO ENTRE OUTROS ATIVOS. (artigo do Tobin “Money and Other Stores of Value”, American Ec\onomic Review (Papers and Proceedings),51 ( May 1961),26-37, é preciso analisar moeda como um ativo entre os vários ativos que compõem o estoque de riqueza e as decisões sobre o estoque de riqueza separadamente das decisões sobre consumo e não consumo.
2) Restrição orçamentária dada pelo estoque total de riqueza. Ativos: a) meios de pagamentos b) depósitos a vista c) títulos públicos d) capital físico e se quisermos e) dívida privada. Riqueza total do setor privado é dada por a+c+d. Depósitos a vista cancelam com empréstimos do setor privado e na riqueza total desaparecem.
3) A decisão de não consumir não implica na decisão de reter moeda. Não consumir é decisão de aumentar o estoque de riqueza o que pode ser feito através da compra de diferentes ativos, entre os quais moeda.
4) No curto prazo, estoque de riqueza constante. Só pode ser aumentado por decisões de poupança que adicionam novos ativos ao estoque lentamente. “Raciocínio sobre o aumento de oferta de meios de pagamento como aumentando o estoque de riqueza (dinheiro caindo do céu por helicóptero) pode ser instrutivo desde que se lembre que não é assim que o Banco Central altera a quantidade de moeda”( crítica a teoria quantitativa da moeda e a idéia de que mais moeda torna o público mais rico e este troca moeda por bens). Política monetária atua geralmente pela troca de ativos mais líquidos por ativos menos líquidos ( operações de mercado aberto). Consumo maior está associado a estoque de riqueza maior e não a excesso de moeda, pois excesso de moeda pode ser compensado por uma realocação de portfolio.
4) No modelo keynesiano, existem apenas dois ativos : dinheiro e capital e nenhum outro ativo financeiro monetário( quase moeda, títulos de renda fixa e curto prazo). Na tradição da Teoria Quantitativa , que também só considerava estes dois ativos, por que não se considerava a taxa de retorno do capital como custo de oportunidade de reter dinheiro? Porque consideravam a taxa de retorno do capital constante.
5) Se considerarmos vários ativos monetários—títulos do governo de curto e longo prazo, dinheiro e capital, os efeitos da política monetária passam a depender da relação de substituição e complementaridade entre os ativos considerados.
6) Primeira alternativa: todos os ativos monetários considerados como perfeitos substitutos do dinheiro e substitutos imperfeitos do capital. Ou seja dinheiro e títulos públicos são perfeitos substitutos. Dinheiro é meio de pagamento e depende da renda nominal. Capital é o outro ativo. Assim, diferencial entre taxa de retorno dos ativos monetários e capital é determinada pela oferta relativa dos dois tipos de ativo. A taxa de juros depende da taxa de juros dos ativos monetários relativamente ao estoque de riqueza. A política monetária altera a taxa de juros destes dois ativos e consequentemente a taxa de juros exigida dos investimentos em capital físico.
7) Segunda alternativa: ativos monetários do governo de curto prazo são substitutos perfeitos do dinheiro, mas capital concorre com ativos de longo prazo dos títulos do governo. Neste caso, política monetária afeta taxa de juros dos ativos monetários entre estes ativos e a taxa de juros do capital e dos títulos de longo prazo que são substitutos perfeitos entre si.
8) Considere agora os efeitos de uma política fiscal superavitária que recompre títulos de longo prazo. Do lado dos fluxos, isto é, da demanda agregada de consumo, o efeito é contracionista por causa do aumento de impostos maior do que o de gastos. Qual o efeito sobre o portfolio do setor privado e sobre os investimentos?
9) Na primeira alternativa—menos títulos de longo prazo relativamente a oferta de dinheiro, cai a taxa de juros “monetária” e aumenta o investimento. A política monetária é expansionista. Caso do modelo IS e livro texto. Onde existe crowding out.
10) Na segunda alternativa—menos títulos de longo prazo relativamente à oferta de capital, os investidores vão exigir uma taxa de retorno maior sobre o capital e os investimentos vão diminuir. A política monetária que retira títulos do governo de circulação é contracionista.
10) Qual é o melhor modelo?
11) O melhor indicador para saber o que vai acontecer com os investimentos é a comparação entre o preço que os investidores exigem para reter capital a preços correntes, o preço de oferta do capital, e a produtividade marginal do capital. Em outras palavras: o custo de produzir novo capital relativamente ao preço corrente do capital( preço das ações). Este índice é o chamado q de Tobin. Na prática, o índice de preço/ lucro da bolsa de valores.
12) Qual seria o resultado de uma recompra de títulos públicos no Brasil? Se o estoque da dívida se reduzir, o efeito é expansionista ou contracionista sobre os investimentos? Existe crowding out ou ao contrário, o efeito da redução de dívida pública provocará crowding out? Ou o contrário?
sábado, 10 de março de 2007
120307 Quarta Aula
120703 Quarta Aula
Monetaristas e Neoclássicos: A teoria quantitativa da moeda.
1)Nesta parte do curso, analisamos o debate entre monetaristas e neoclássicos. Neoclássicos são autores como Paul Samuelson, Robert Solow e principalmente James Tobin, no caso de teoria monetária e mercados financeiros.
2) Os neoclássicos incorporam a teoria keynesia à teoria clássica. São criticados pelos neokeynesianos . Os monetaristas entre os quais se destaca Milton Friedman criticam os neoclássicos e recuperam a teoria clássica.
3) Os neoclássicos são, portanto criticados por dois lados: pelos clássicos e pelos neokeynesianos. Por isto constituem um bom lugar para começar a estudar moeda, pois estão no cruzamento da controvérsia.
4) As aulas se dedicarão a artigos do Friedman e Tobin, mencionados na lista de leitura e colocados na pasta número 28 da biblioteca.
5) O debate ocorre entre os anos 1950 e meados dos anos 70. Características do período: as economias nacionais crescem rapidamente ( no Brasil, crescimento médio de 6% a.a. ), o sistema internacional de pagamentos ainda é regulado pelos acordos de Bretton Woods ( taxa de câmbio fixa e baixa mobilidade de capital, embora o mercado de eurodólar esteja crescendo rapidamente). Os modelos macroeconômicos se concentram em economias fechadas. Modelos de economia aberta são apresentados apenas em cursos de Finanças Internacionais. Hoje vários livros textos de macro já começam com economias abertas e mobilidade de capital. A inflação média mundial é muito maior do que atualmente. Os paises latinoamericanos tem taxas de inflação elevadas e sofrem do que passou a se chamar inflação latina.
6) A política econômica do “mainstream” da época obedece as recomendações da teoria neoclássica—existe uma relação negativa entre inflação e desemprego ( curva de Philips), menos inflação gera mais desemprego, o desemprego não é mais visto como temporário ou decorrente de um problema microeconômico( sindicatos) a política fiscal é estabilizadora Assim, os neoclássicos representam o pensamento vencedor. Enquanto os monetaristas são os críticos conservadores.
7) O debate pode ser analisado a partir das diferenças na conceituação de moeda. A diferença é importante.
8) Para os monetaristas, a moeda facilita as trocas . Como o custo marginal de produção da moeda é zero, a quantidade ótima de moeda a ser retida por cada empresa ou pessoa é dada pelo ponto em que a curva de demanda de moeda (em função da taxa de juros nominal) corta o eixo dos x , isto é, a demanda equivalente a juros nominais zero.( iguais ao custo marginal) . Como existe uma taxa de juros nominal maior do que zero, dada pela taxa de retorno do capital, as pessoas economizam moeda, o que representa uma perda de bem estar social, um desperdício desnecessário. Para evitar este desperdício, seria necessário levar a taxa de juros nominal ( taxa de juros real menos inflação) a zero. Como fazer isto? Gerando uma deflação igual a taxa de retorno do capital. (ver artigo do Bailey, The Welfare Costs of Inflationary Demand). Por outro lado, se houver inflação, o público paga um imposto sobre seus saldos monetários. A inflação gera um custo social chamado de “peso morto” da inflação.
9) A diferença com relação ao pensamento keynesiano é enorme. Para Keynes, a retenção de moeda reduz o montante de investimento e portanto gera uma demanda agregada menor e um nível de emprego ou de crescimento menor. Keynes até especula, apenas teóricamente, sobre a idéia de carimbar dinheiro. O dinheiro só teria valor legal se fosse utilizado periodicamente e cada vez que fosse utilizado seria carimbado. Sem carimbos em datas predeterminadas, perderia o valor.
10) São duas conceituações de dinheiro radicalmente diferentes. Para os monetaristas, dinheiro serve apenas para pagamentos de transações. Para Keynes e os neoclássicos dinheiro é reserva de valor. Portanto, precisamos conceituar o dinheiro rigorosamente se quisermos resolver o dilema entre as duas propostas.
11) Entre os clássicos, a moeda é introduzida no modelo de uma forma “ad hoc”, isto é, não é derivada da teoria geral dos mercados. Não se pode definir uma curva de indiferença entre moeda e outro bem, Por que alguém demandaria moeda que não tem utilidade em si mas serve apenas para facilitar as trocas? A teoria clássica propõe a teoria quantitativa da moeda:
MV= PY
MV- A quantidade de moeda, um estoque, vezes a velocidade de circulação, quantas vezes a moeda muda de mãos por ano.A quantidade de moeda é um estoque ( saldo de meios de pagamento, papel moeda em poder do público mais depósitos a vista). Multiplicada por V, torna-se um fluxo, quanitdade de meios de pagamento que passa pelos mercados POR ANO.
PY- é o produto real Y multiplicado pelo nível geral de preços( o preço médio de todos os produtos e serviços da economia), isto é, o valor do produto nominal, um trilhão de reais por ano, aproximadamente, na economia brasileira atualmente.
Y e constante no curto prazo, por que a economia está sempre em pleno emprego. A velocidade é constante, pois depende de hábitos de pagamento ( salários pagos mensalmente ou semanalmente, grau de integração vertical das empresas) . Se o Banco Central aumenta a quantidade de moeda, M, os preços P aumentam na mesma proporção.
12) A teoria quantitativa pode ser vista como uma identidade: MV é sempre idêntico a PY, por definição.
13) Ou como uma função de comportamento, a demanda de dinheiro. As famílias e empresas demandam dinheiro como uma proporção fixa do produto nominal. Poderia ser escrita como M=k. PY onde k=1/V, ou onde a proporção da renda ou do produto retidos como saldo para financiar transações é uma proporção fixa ( digamos 14% ) da renda nominal. A velocidade neste caso seria aproximadamente 7.
14) Mas de qual a teoria se deriva esta curva de demanda?
15) No artigo “The Quantitative Theory of Money—a Reestatement”, Friedman ( ver o artigo na pasta de Xerox n. 28) formula a teoria que justifica a demanda de moeda especificada pela Teoria Quantitativa da moeda.
16) Resumo simplificado do artigo: o dinheiro é um ativo, um estoque, de propriedade dos indivíduos e empresas. Assim, a demanda deste estoque como a demanda de qualquer outro estoque depende
a- dos rendimentos que paga ou serviços que oferece e
b- da variação esperada do seu preço.
c- das mesmas duas variáveis especificadas para todos os outros estoques substitutos ou complementares deste.
d- do nível de riqueza.
17) A demanda de dinheiro portanto depende de:
a- do rendimento da moeda, zero por definição/ Dinheiro é depósito a vista mais papel moeda em poder do público e ambos não rendem juros.
b- da variação esperada no preço do dinheiro, isto é, da inflação esperada.
c- do rendimento das ações: dividendos ou lucros das empresas mais variação esperada dos seus preços.
c- do rendimento dos títulos de renda fixa: juros de face mais variações nos preços dos títulos.
d- do rendimento do estoque de capital físico : produtividade do capital e variações no preço deste capital.
e- do rendimento do estoque de capital humano: produtividade do capital físico e variações no preço deste capital( medido pela diferença de salário entre pessoas mais educadas e menos educadas) e
f- finalmente, de uma variável escala, a riqueza total, que pode ser medida pelo estoque total de capital multiplicado pelo rendimento médio deste estoque de capital total.
18) A relação entre o rendimento total da moeda e o rendimento dos outros ativos pode ser de substituição ou de complementaridade. Esta é uma questão empírica a ser definida a partir da análise dos dados. O dinheiro pode ser um bem substituto ou complementar ao capital, aos títulos de renda fixa e as ações.
19) As variações do nível geral de preços, por hipótese, afetam apenas o rendimento do dinheiro e o rendimento dos títulos de renda fixa. Os títulos de renda variável não são sensíveis a variação do nível geral de preços. Se adicionarmos a hipótese de que os juros dos títulos de renda fixa são proporcionais ao rendimento do capital e das ações, nem os títulos de renda fixa são sensíveis a variações do nível geral de preços. O nível de produção e o estoque de riqueza são constantes no curto prazo.
20) Com estas hipóteses, a demanda de moeda acaba sendo uma função somente do nível geral de preços e do produto, exatamente como quer a teoria quantitativa da moeda.
21) Friedman construiu a base teórica da teoria quantitativa da moeda. A teoria quantitativa da moeda é uma boa teoria se os testes estatísticos não rejeitarem suas previsões—o nível geral de preços aumenta proporcionalmente ao aumento da quantidade de moeda.
22) A metodologia do Friedman—positivismo instrumental. Não importa o “realismo” das hipóteses. O critério é apenas saber se a teoria funciona. A realidade é inatingível e as hipóteses irrelevantes para distinguir entre boas e más teorias.
23) Testes da Teoria Quantitativa da Moeda. O ajustamento de estoques. A hipótese da renda permanente. As diversas definições estatísticas de dinheiro.
24) Em outro artigo, o professor Harry Johnson, da universidade de Chicago, dirá que a teoria quantitativa da moeda é uma “boa” teoria para economias que tem um mercado de capital pouco desenvolvido. Onde a escolha se dá entre mais dinheiro e menos bens e não entre mais dinheiro e menos de outros ativos financeiros.
25) A quantidade de dinheiro, sob estas hipóteses, não altera o rendimento do capital, dos ativos financeiros que o representam( ações e bonds). Altera apenas o preço dos bens.
26) Na próxima aula vamos analisar dois artigos do Tobin onde o dinheiro é apresentado como ativo que concorre com o capital ou é complementar ao estoque de capital.
Monetaristas e Neoclássicos: A teoria quantitativa da moeda.
1)Nesta parte do curso, analisamos o debate entre monetaristas e neoclássicos. Neoclássicos são autores como Paul Samuelson, Robert Solow e principalmente James Tobin, no caso de teoria monetária e mercados financeiros.
2) Os neoclássicos incorporam a teoria keynesia à teoria clássica. São criticados pelos neokeynesianos . Os monetaristas entre os quais se destaca Milton Friedman criticam os neoclássicos e recuperam a teoria clássica.
3) Os neoclássicos são, portanto criticados por dois lados: pelos clássicos e pelos neokeynesianos. Por isto constituem um bom lugar para começar a estudar moeda, pois estão no cruzamento da controvérsia.
4) As aulas se dedicarão a artigos do Friedman e Tobin, mencionados na lista de leitura e colocados na pasta número 28 da biblioteca.
5) O debate ocorre entre os anos 1950 e meados dos anos 70. Características do período: as economias nacionais crescem rapidamente ( no Brasil, crescimento médio de 6% a.a. ), o sistema internacional de pagamentos ainda é regulado pelos acordos de Bretton Woods ( taxa de câmbio fixa e baixa mobilidade de capital, embora o mercado de eurodólar esteja crescendo rapidamente). Os modelos macroeconômicos se concentram em economias fechadas. Modelos de economia aberta são apresentados apenas em cursos de Finanças Internacionais. Hoje vários livros textos de macro já começam com economias abertas e mobilidade de capital. A inflação média mundial é muito maior do que atualmente. Os paises latinoamericanos tem taxas de inflação elevadas e sofrem do que passou a se chamar inflação latina.
6) A política econômica do “mainstream” da época obedece as recomendações da teoria neoclássica—existe uma relação negativa entre inflação e desemprego ( curva de Philips), menos inflação gera mais desemprego, o desemprego não é mais visto como temporário ou decorrente de um problema microeconômico( sindicatos) a política fiscal é estabilizadora Assim, os neoclássicos representam o pensamento vencedor. Enquanto os monetaristas são os críticos conservadores.
7) O debate pode ser analisado a partir das diferenças na conceituação de moeda. A diferença é importante.
8) Para os monetaristas, a moeda facilita as trocas . Como o custo marginal de produção da moeda é zero, a quantidade ótima de moeda a ser retida por cada empresa ou pessoa é dada pelo ponto em que a curva de demanda de moeda (em função da taxa de juros nominal) corta o eixo dos x , isto é, a demanda equivalente a juros nominais zero.( iguais ao custo marginal) . Como existe uma taxa de juros nominal maior do que zero, dada pela taxa de retorno do capital, as pessoas economizam moeda, o que representa uma perda de bem estar social, um desperdício desnecessário. Para evitar este desperdício, seria necessário levar a taxa de juros nominal ( taxa de juros real menos inflação) a zero. Como fazer isto? Gerando uma deflação igual a taxa de retorno do capital. (ver artigo do Bailey, The Welfare Costs of Inflationary Demand). Por outro lado, se houver inflação, o público paga um imposto sobre seus saldos monetários. A inflação gera um custo social chamado de “peso morto” da inflação.
9) A diferença com relação ao pensamento keynesiano é enorme. Para Keynes, a retenção de moeda reduz o montante de investimento e portanto gera uma demanda agregada menor e um nível de emprego ou de crescimento menor. Keynes até especula, apenas teóricamente, sobre a idéia de carimbar dinheiro. O dinheiro só teria valor legal se fosse utilizado periodicamente e cada vez que fosse utilizado seria carimbado. Sem carimbos em datas predeterminadas, perderia o valor.
10) São duas conceituações de dinheiro radicalmente diferentes. Para os monetaristas, dinheiro serve apenas para pagamentos de transações. Para Keynes e os neoclássicos dinheiro é reserva de valor. Portanto, precisamos conceituar o dinheiro rigorosamente se quisermos resolver o dilema entre as duas propostas.
11) Entre os clássicos, a moeda é introduzida no modelo de uma forma “ad hoc”, isto é, não é derivada da teoria geral dos mercados. Não se pode definir uma curva de indiferença entre moeda e outro bem, Por que alguém demandaria moeda que não tem utilidade em si mas serve apenas para facilitar as trocas? A teoria clássica propõe a teoria quantitativa da moeda:
MV= PY
MV- A quantidade de moeda, um estoque, vezes a velocidade de circulação, quantas vezes a moeda muda de mãos por ano.A quantidade de moeda é um estoque ( saldo de meios de pagamento, papel moeda em poder do público mais depósitos a vista). Multiplicada por V, torna-se um fluxo, quanitdade de meios de pagamento que passa pelos mercados POR ANO.
PY- é o produto real Y multiplicado pelo nível geral de preços( o preço médio de todos os produtos e serviços da economia), isto é, o valor do produto nominal, um trilhão de reais por ano, aproximadamente, na economia brasileira atualmente.
Y e constante no curto prazo, por que a economia está sempre em pleno emprego. A velocidade é constante, pois depende de hábitos de pagamento ( salários pagos mensalmente ou semanalmente, grau de integração vertical das empresas) . Se o Banco Central aumenta a quantidade de moeda, M, os preços P aumentam na mesma proporção.
12) A teoria quantitativa pode ser vista como uma identidade: MV é sempre idêntico a PY, por definição.
13) Ou como uma função de comportamento, a demanda de dinheiro. As famílias e empresas demandam dinheiro como uma proporção fixa do produto nominal. Poderia ser escrita como M=k. PY onde k=1/V, ou onde a proporção da renda ou do produto retidos como saldo para financiar transações é uma proporção fixa ( digamos 14% ) da renda nominal. A velocidade neste caso seria aproximadamente 7.
14) Mas de qual a teoria se deriva esta curva de demanda?
15) No artigo “The Quantitative Theory of Money—a Reestatement”, Friedman ( ver o artigo na pasta de Xerox n. 28) formula a teoria que justifica a demanda de moeda especificada pela Teoria Quantitativa da moeda.
16) Resumo simplificado do artigo: o dinheiro é um ativo, um estoque, de propriedade dos indivíduos e empresas. Assim, a demanda deste estoque como a demanda de qualquer outro estoque depende
a- dos rendimentos que paga ou serviços que oferece e
b- da variação esperada do seu preço.
c- das mesmas duas variáveis especificadas para todos os outros estoques substitutos ou complementares deste.
d- do nível de riqueza.
17) A demanda de dinheiro portanto depende de:
a- do rendimento da moeda, zero por definição/ Dinheiro é depósito a vista mais papel moeda em poder do público e ambos não rendem juros.
b- da variação esperada no preço do dinheiro, isto é, da inflação esperada.
c- do rendimento das ações: dividendos ou lucros das empresas mais variação esperada dos seus preços.
c- do rendimento dos títulos de renda fixa: juros de face mais variações nos preços dos títulos.
d- do rendimento do estoque de capital físico : produtividade do capital e variações no preço deste capital.
e- do rendimento do estoque de capital humano: produtividade do capital físico e variações no preço deste capital( medido pela diferença de salário entre pessoas mais educadas e menos educadas) e
f- finalmente, de uma variável escala, a riqueza total, que pode ser medida pelo estoque total de capital multiplicado pelo rendimento médio deste estoque de capital total.
18) A relação entre o rendimento total da moeda e o rendimento dos outros ativos pode ser de substituição ou de complementaridade. Esta é uma questão empírica a ser definida a partir da análise dos dados. O dinheiro pode ser um bem substituto ou complementar ao capital, aos títulos de renda fixa e as ações.
19) As variações do nível geral de preços, por hipótese, afetam apenas o rendimento do dinheiro e o rendimento dos títulos de renda fixa. Os títulos de renda variável não são sensíveis a variação do nível geral de preços. Se adicionarmos a hipótese de que os juros dos títulos de renda fixa são proporcionais ao rendimento do capital e das ações, nem os títulos de renda fixa são sensíveis a variações do nível geral de preços. O nível de produção e o estoque de riqueza são constantes no curto prazo.
20) Com estas hipóteses, a demanda de moeda acaba sendo uma função somente do nível geral de preços e do produto, exatamente como quer a teoria quantitativa da moeda.
21) Friedman construiu a base teórica da teoria quantitativa da moeda. A teoria quantitativa da moeda é uma boa teoria se os testes estatísticos não rejeitarem suas previsões—o nível geral de preços aumenta proporcionalmente ao aumento da quantidade de moeda.
22) A metodologia do Friedman—positivismo instrumental. Não importa o “realismo” das hipóteses. O critério é apenas saber se a teoria funciona. A realidade é inatingível e as hipóteses irrelevantes para distinguir entre boas e más teorias.
23) Testes da Teoria Quantitativa da Moeda. O ajustamento de estoques. A hipótese da renda permanente. As diversas definições estatísticas de dinheiro.
24) Em outro artigo, o professor Harry Johnson, da universidade de Chicago, dirá que a teoria quantitativa da moeda é uma “boa” teoria para economias que tem um mercado de capital pouco desenvolvido. Onde a escolha se dá entre mais dinheiro e menos bens e não entre mais dinheiro e menos de outros ativos financeiros.
25) A quantidade de dinheiro, sob estas hipóteses, não altera o rendimento do capital, dos ativos financeiros que o representam( ações e bonds). Altera apenas o preço dos bens.
26) Na próxima aula vamos analisar dois artigos do Tobin onde o dinheiro é apresentado como ativo que concorre com o capital ou é complementar ao estoque de capital.
sábado, 3 de março de 2007
050307 Terceira aula
A oferta de meios de pagamento
1) O multiplicador de depósitos bancários. Caso simples. Balancete de um banco comercial.
Passsivo Ativo
Capital 10 Caixa 10
Depósitos a vista 90 Empréstimos 90
Total 100 Total 100
Alavancagem : Empréstimos/capital =10
O multiplicador de depósitos –exemplo : Caixa = 0,20 dos depósitos
+100 de depósitos +80 de depósitos noutro banco+0,8.0,8 de 80+,8.0,8.0,8 de 80 +.....= Soma de PG de razão 0,8 = 100/(1-0,8)=500 Razão da PG= 0,8=1-propensão a manter em caixa os depósitos. Multiplicador = 5
2) Se o público retiver 0,10 do empréstimo recebido em papel moeda , multiplicador será 1/1-0,8-0,1 e multiplicador será 3,3333
3) Multiplicador não é mecânico. Ver Tobin, Commercial Banks as Creators of Money na lista de leitura. .
4) Multiplicador da base. B=RC+PMPP. Se RC=aDV e PMPP=bDv então
Base=(a+b)DV.
Meio de Pagamento= DV+PMPP=DV+bDV=(1+b)DV
Meios de pagamento/base=(1+b)/(a+b)=1/(a+b) +b/(a+b)
No denominador , a soma dos “vazamentos” para fora do sistema bancário
5) Política monetária.
Tres Instrumentos- reservas compulsórias, open market e taxa de redesconto.
aumento de reservas compulsórias- aumenta a base e diminue o multiplicador.
aumento da taxa de redesconto- torna mais caro o custo de tomar empréstimos no BCentral. Bancos Comerciais aumentam as reservas para evitar o risco deste empréstimo.
operação de mercado aberto- Banco Central vende títulos . Os compradores de títulos reduzem ou as reservas que tem no Banco Central ou o papel moeda em poder do público. A base se reduz. A taxa de juros aumenta porque há menos meios de pagamentos e porque a oferta maior de títulos diminue o preço dos títulos e consequentemente, aumenta sua taxa de juros.
6) Nota 1- a demanda de moeda para transações também é função da taxa de juros. Uma pessoa ganha e gasta y por mes e faz n retiradas de tamanho z do banco. Então nz=y. O saldo médio desta pessoa é y/2n, igual a área embaixo do triângulo que representa a retirada de dinheiro do banco.
7) Se o objetivo for minimizar o custo de ir ao banco e retirar dinheiro, chamado de custo de transação e represenado por ct e a perda de juros sobre o dinheiro retirado (y/2n)i. o saldo médio ótimo é dado por
8) min CT=nct+ (y/2n)i . Achamos o número ótimo de retiradas, n= raiz quadrada de ( yi/2ct) . E substituindo este n ótimo no saldo médio e simplificando, o saldo médio ótimo é dado por raiz quadrada de (yct/21)
9) min CT=yi/2n +ct.n dCT/dn=-yi/2n**2+ct=0 n=(yi/2ct)**1/2
10) saldo médio = y/2n=(y/2)(1/(yi/2ct)**1/2
11) resolvendo M=saldo médio=(yct/2i)**1/2
12) Assim a demanda de moeda para transações é uma função da taxa de juros elevada a ½. A elasticidade da demanda de moeda para transações com relação a taxa de juros é ½. Ver pagina 415 do Dornbush e Fisher Quinta Edição.
1) O multiplicador de depósitos bancários. Caso simples. Balancete de um banco comercial.
Passsivo Ativo
Capital 10 Caixa 10
Depósitos a vista 90 Empréstimos 90
Total 100 Total 100
Alavancagem : Empréstimos/capital =10
O multiplicador de depósitos –exemplo : Caixa = 0,20 dos depósitos
+100 de depósitos +80 de depósitos noutro banco+0,8.0,8 de 80+,8.0,8.0,8 de 80 +.....= Soma de PG de razão 0,8 = 100/(1-0,8)=500 Razão da PG= 0,8=1-propensão a manter em caixa os depósitos. Multiplicador = 5
2) Se o público retiver 0,10 do empréstimo recebido em papel moeda , multiplicador será 1/1-0,8-0,1 e multiplicador será 3,3333
3) Multiplicador não é mecânico. Ver Tobin, Commercial Banks as Creators of Money na lista de leitura. .
4) Multiplicador da base. B=RC+PMPP. Se RC=aDV e PMPP=bDv então
Base=(a+b)DV.
Meio de Pagamento= DV+PMPP=DV+bDV=(1+b)DV
Meios de pagamento/base=(1+b)/(a+b)=1/(a+b) +b/(a+b)
No denominador , a soma dos “vazamentos” para fora do sistema bancário
5) Política monetária.
Tres Instrumentos- reservas compulsórias, open market e taxa de redesconto.
aumento de reservas compulsórias- aumenta a base e diminue o multiplicador.
aumento da taxa de redesconto- torna mais caro o custo de tomar empréstimos no BCentral. Bancos Comerciais aumentam as reservas para evitar o risco deste empréstimo.
operação de mercado aberto- Banco Central vende títulos . Os compradores de títulos reduzem ou as reservas que tem no Banco Central ou o papel moeda em poder do público. A base se reduz. A taxa de juros aumenta porque há menos meios de pagamentos e porque a oferta maior de títulos diminue o preço dos títulos e consequentemente, aumenta sua taxa de juros.
6) Nota 1- a demanda de moeda para transações também é função da taxa de juros. Uma pessoa ganha e gasta y por mes e faz n retiradas de tamanho z do banco. Então nz=y. O saldo médio desta pessoa é y/2n, igual a área embaixo do triângulo que representa a retirada de dinheiro do banco.
7) Se o objetivo for minimizar o custo de ir ao banco e retirar dinheiro, chamado de custo de transação e represenado por ct e a perda de juros sobre o dinheiro retirado (y/2n)i. o saldo médio ótimo é dado por
8) min CT=nct+ (y/2n)i . Achamos o número ótimo de retiradas, n= raiz quadrada de ( yi/2ct) . E substituindo este n ótimo no saldo médio e simplificando, o saldo médio ótimo é dado por raiz quadrada de (yct/21)
9) min CT=yi/2n +ct.n dCT/dn=-yi/2n**2+ct=0 n=(yi/2ct)**1/2
10) saldo médio = y/2n=(y/2)(1/(yi/2ct)**1/2
11) resolvendo M=saldo médio=(yct/2i)**1/2
12) Assim a demanda de moeda para transações é uma função da taxa de juros elevada a ½. A elasticidade da demanda de moeda para transações com relação a taxa de juros é ½. Ver pagina 415 do Dornbush e Fisher Quinta Edição.
280207 Segunda aula
Mecanismos de transmissão da política monetária.
Numa economia fechada, no modelo IS- LM
1) Para que a oferta monetária afete a demanda agregada numa economia fechada é preciso que:
a) a demanda de investimentos seja sensível a taxa de juros OU
b) a demanda de moeda seja sensível a taxa de juros
Além disto, a oferta monetária afeta a demanda agregada se houver efeito riqueza, isto é, se a maior quantidade de moeda deslocar a função consumo.
2) Para que a oferta monetária afete a oferta agregada é preciso que :
a) a oferta de trabalho não seja homogênea de grau zero para salários nominais e nível de preços
b) exista alguma imperfeição no mercado de trabalho que reduza os salários reais quando o nível geral de preços sobe.
3) Numa economia aberta com taxa de câmbio fixa, a política monetária não produz resultados sobre a taxa de juros porque a movimentação de dinheiro para dentro e para fora do país e desfaz a política monetária inicial.
4) Numa economia aberta com taxa de câmbio flutuante, a política monetária afeta a taxa cambial e aumenta os efeitos da política monetária contracionista ou expansionista.
Na próxima aula, vamos ver como se altera a política monetária.
Perguntas preparatórias para a Primeira Prova
O conjunto de perguntas abaixo foi preparado com o intuito de auxiliá-lo na revisão do modelo IS- LM. Você deve se preparar para responder todas estas perguntas graficamente.
I - Economia fechada (não há importações ou exportações)
a) Mostre graficamente o efeito sobre a demanda agregada de um aumento:
- nos gastos do governo
- no intercepto da função consumo
- no intercepto da demanda de investimentos
b) Quanto aumenta a demanda agregada para cada real de aumento nos gastos do governo? E nos gastos de consumo? O multiplicador de demanda agregada aumenta ou diminui quando consideramos a tributação como função da renda?
c) Se a demanda de investimentos não depende da taxa de juros, como fica, graficamente, a curva IS?
d) Se a oferta agregada não depende do nível geral de preços, qual o aumento da produção decorrente dos gastos do governo? O que é o efeito “crowding out”?
II - Economia aberta com taxa de câmbio fixa e perfeita mobilidade de capital.
a) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento na oferta de meios de pagamento? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira do Banco Central?
b) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento nos gastos do governo? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira?
III - Economia aberta com taxa de câmbio flutuante e perfeita mobilidade de capital
c) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento na oferta de meios de pagamento? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira do Banco Central?
d) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento nos gastos do governo? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira?
IV - Em que casos um aumento na oferta de meios de pagamento não afeta a demanda agregada?
V – Quando um aumento na oferta de meios de pagamento não afeta a oferta agregada?
Numa economia fechada, no modelo IS- LM
1) Para que a oferta monetária afete a demanda agregada numa economia fechada é preciso que:
a) a demanda de investimentos seja sensível a taxa de juros OU
b) a demanda de moeda seja sensível a taxa de juros
Além disto, a oferta monetária afeta a demanda agregada se houver efeito riqueza, isto é, se a maior quantidade de moeda deslocar a função consumo.
2) Para que a oferta monetária afete a oferta agregada é preciso que :
a) a oferta de trabalho não seja homogênea de grau zero para salários nominais e nível de preços
b) exista alguma imperfeição no mercado de trabalho que reduza os salários reais quando o nível geral de preços sobe.
3) Numa economia aberta com taxa de câmbio fixa, a política monetária não produz resultados sobre a taxa de juros porque a movimentação de dinheiro para dentro e para fora do país e desfaz a política monetária inicial.
4) Numa economia aberta com taxa de câmbio flutuante, a política monetária afeta a taxa cambial e aumenta os efeitos da política monetária contracionista ou expansionista.
Na próxima aula, vamos ver como se altera a política monetária.
Perguntas preparatórias para a Primeira Prova
O conjunto de perguntas abaixo foi preparado com o intuito de auxiliá-lo na revisão do modelo IS- LM. Você deve se preparar para responder todas estas perguntas graficamente.
I - Economia fechada (não há importações ou exportações)
a) Mostre graficamente o efeito sobre a demanda agregada de um aumento:
- nos gastos do governo
- no intercepto da função consumo
- no intercepto da demanda de investimentos
b) Quanto aumenta a demanda agregada para cada real de aumento nos gastos do governo? E nos gastos de consumo? O multiplicador de demanda agregada aumenta ou diminui quando consideramos a tributação como função da renda?
c) Se a demanda de investimentos não depende da taxa de juros, como fica, graficamente, a curva IS?
d) Se a oferta agregada não depende do nível geral de preços, qual o aumento da produção decorrente dos gastos do governo? O que é o efeito “crowding out”?
II - Economia aberta com taxa de câmbio fixa e perfeita mobilidade de capital.
a) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento na oferta de meios de pagamento? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira do Banco Central?
b) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento nos gastos do governo? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira?
III - Economia aberta com taxa de câmbio flutuante e perfeita mobilidade de capital
c) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento na oferta de meios de pagamento? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira do Banco Central?
d) Qual o impacto sobre a demanda agregada de um aumento nos gastos do governo? E o efeito final sobre as reservas de moeda estrangeira?
IV - Em que casos um aumento na oferta de meios de pagamento não afeta a demanda agregada?
V – Quando um aumento na oferta de meios de pagamento não afeta a oferta agregada?
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