140507 Décima Segunda Aula—A inflação na América Latina.
1) No período posterior a Segunda Grande Guerra, entre 1945 e 1975 a economia mundial cresceu rapidamente assim como o emprego. A Europa recuperou-se da guerra e se tornou uma das três maiores economias do mundo, assim como o Japão. É o chamado “período dourado do capitalismo” onde a política econômica era chamada de keynesiana.
2) O Brasil cresceu a taxa média de 6% a.a. atingindo entre 1968 e 1973 taxas ainda maiores que chegaram a 11% a.a. no período batizado de “milagre brasileiro”.
3) As taxas de inflação médias observadas na economia mundial eram mais elevadas do que as taxas observadas no período atual de “globalização financeira”.
4) A inflação observada neste período podia ser classificada em vários tipos: a “creeping inflation” dos Estados Unidos e vários países da Europa. A “inflação latina” sempre alta e maior do que a média de outros países do mundo. África e Sudeste da Ásia não tinham problemas inflacionários.
5) Atualmente, as taxas de inflação médias no mundo, são muito baixas. E as taxas inflacionárias da América Latina também. Vale a pena comparar as taxas latinoamericanas atuais com a taxa média mundial para ver se a diferença observada no período 45-75 ainda permanecem.
6) Neste período, o debate sobre a inflação se dividia entre dois grupos: os monetaristas que atribuíam a inflação latina ao déficit público ou a forma como este déficit publico era financiado, isto é, por emissões. E os estruturalistas, escola originada entre os economistas da CEPAL —Comissão Econômica Para a América Latina—organização da ONU localizada em Santiago do Chile.
7) Para os estruturalistas, a inflação observada na América Latina decorria do próprio desenvolviimento econômico que alterava as características da economia e provocava mudanças importantes de preços relativos. Dado que os preços são nominalmente rígdos, a variação de preços relativos causava inflação.
8) As mudanças de preços relativos eram decorrentes do próprio desenvolvimento.
9) A urbanização aumentava a demanda e os preços de produtos alimentares. A agricultura era tradicional e não reagia aos estímulos de mercado, mais preocupada em controlar “currais eleitorais”do que em maximizar o lucro.
10) A industrialização provocava o aumento da demanda por importações . Como estes países exportavam produtos agrícolas de baixa elasticidade preço, o aumento das quantidades exportadas não aumentava a receita total. A elevação da taxa cambial causava inflação.
11) A infraestrutura era inadequada. Industrialização e urbanização provocavam aumentos de custo e consequentemente inflação.
12) A tentativa de combater a inflação por políticas de controle da demanda causaria apenas estagnação sem que a inflação fosse controlada.
13) A solução seram as reformas estruturais: a reforma agrária, a reforma cambial, a reforma bancária e assim por diante.
14) Os monetaristas contra argumentavam que tanta inflação não seria possível se não houvesse crescimento da oferta de meios de pagamento. Com M constante, os aumentos de preços relativos não causariam inflação.
15) Estruturalistas respondiam que a oferta de meios de pagamento era passiva, isto é, reagia ao crescimento dos preços.
16) Em resumo, os estruturalistas apresentavam um diagnóstico de inflação de custos como causa mais importante da inflação latina.
sábado, 26 de maio de 2007
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